Notificação falsa sobre fechamento do Nubank foi erro de sistema 

Falha técnica disparou avisos de liquidação para clientes Ultravioleta. O Nubank opera normalmente e o Banco Central negou o encerramento

Crédito: Divulgação

O Nubank esclareceu que as mensagens enviadas por engano a clientes nesta sexta-feira (12), informando que o banco digital havia sido encerrado, originaram-se de uma falha em um sistema de testes. O mecanismo é utilizado exclusivamente para notificar usuários sobre processos de liquidação de outras instituições financeiras pelo Banco Central (BC), nas quais os correntistas possuam investimentos.

Em nota oficial divulgada neste sábado (13), a instituição financeira informou que um desenvolvedor acionou o sistema de forma acidental. Como não havia nenhuma empresa real vinculada ao fluxo de comunicação testado, o nome do Nubank foi preenchido de forma automática pelo padrão do software.

Falha interna e suspeita de automação por inteligência artificial

Funcionários da empresa, ouvidos sob condição de anonimato, relataram que o equívoco partiu da equipe de comunicação com o cliente. Informações que circularam em canais internos indicam que ferramentas de inteligência artificial podem ter completado o campo de texto de forma preditiva.

Em sistemas tradicionais de programação, a ausência de um dado gera um erro ou deixa o espaço em branco. Contudo, modelos de linguagem operam por previsão de contexto. Diante da ausência de um nome de referência, a IA pode ter associado o cenário ao próprio Nubank.

O professor de ciência da computação da PUC-SP, Diogo Cortiz, analisou o cenário técnico:

“Considerando o contexto da mensagem, seria uma governança muito estranha. É difícil de cravar, são muitas possibilidades. Pode até ser que o algoritmo que deu problema tenha sido feito com IA”, explicou Cortiz.

Impacto nos clientes e contenção do disparo

As notificações falsas atingiram uma parcela de usuários do segmento Ultravioleta, categoria premium voltada a clientes de alta renda. Os avisos foram recebidos por meio de:

  • Aplicativo oficial da instituição;
  • Mensagens de texto (SMS);
  • Correio eletrônico (E-mail).

A pane só não tomou proporções maiores porque um funcionário identificou o disparo indevido a tempo e interrompeu o fluxo de envios para o restante da base de dados do segmento.

Posição oficial da diretoria e do Banco Central

A cofundadora do Nubank, Cristina Junqueira, pronunciou-se por meio de suas redes sociais para acalmar o mercado e os correntistas. Ela explicou que o gatilho do disparo ocorreu durante a submissão de um pull request (PR) — procedimento padrão onde desenvolvedores propõem alterações em códigos de softwares.

“Uma pessoa submeteu um PR que acabou acidentalmente ativando o protocolo que existe quando algo assim acontece. Atingiu uma parcela muito pequena de clientes, mas sabemos que causa um transtorno”, afirmou a executiva.

O Banco Central também emitiu um comunicado formal reforçando que não existe qualquer processo de liquidação contra a maior fintech da América Latina, cujo valor de mercado é estimado em US$ 58,5 bilhões.

A liquidação extrajudicial é uma medida drástica do BC para encerrar as atividades de instituições financeiras insolventes ou com fraudes confirmadas, o que não se aplica ao caso. O Nubank segue operando normalmente e sem interrupções em seus serviços.

  • Publicado: 13/06/2026 17:54
  • Alterado: 13/06/2026 17:55
  • Autor: Gabriel de Jesus
  • Fonte: FolhaPress