No Dia dos Povos Originários, Canal Brasil exibe maratona especial
Serão quase 24 horas de programação no dia 19 de abril, com destaque para a estreia de “Raoni, Uma Amizade Improvável”, de Jean-Pierre Dutilleux
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 14/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Celebrado no Brasil no dia 19 de abril desde 1943, o Dia dos Povos Originários propõe reflexões e críticas sobre a preservação da memória e das relações de poder entre colonizadores, órgãos oficiais e as populações nativas do país. Como forma de celebrar a data e reforçar as discussões, o Canal Brasil exibe uma maratona com dezoito filmes e um episódio do programa “Espelho”, apresentado por Lázaro Ramos, com uma entrevista de Ailton Krenak. A programação tem início à meia-noite e se estende por quase 24 horas, totalmente dedicada ao tema.
“Raoni, Uma Amizade Improvável”, de Jean-Pierre Dutilleux, estreia no Canal Brasil e abre a maratona. O documentário conta a história de amizade entre o cacique Kaiapó Raoni, do estado do Mato Grosso, e o cineasta belga Jean-Pierre Dutilleux ao longo de 50 anos. O filme é uma homenagem à vida e à luta pela preservação das terras indígenas do Cacique Raoni Metuktire, que reside na região norte do Mato Grosso. Ele é conhecido mundialmente pela atuação em prol da Amazônia e dos povos indígenas. Entre os momentos mais marcantes do seu trabalho, em 1987 Raoni teve forte atuação na Assembleia Constituinte resultando na inclusão dos direitos fundamentais dos povos indígenas na Constituição Federal de 1988. No mesmo ano, ganhou notoriedade internacional como defensor das florestas. Em 2023, durante a posse de Lula, foi uma das personalidades a subir a rampa do Palácio da Alvorada para entregar a faixa presidencial.
A maratona segue com a exibição dos longas-metragens: “Segredos do caPutumayo”, de Aurélio Michiles, um documentário que investiga as denúncias de crimes contra comunidades indígenas cometidos pela empresa britânica Peruvian Amazon Company em 1910; “Retomada”, de Ricardo Martensen, que aborda a resistência das aldeias Castanhal dos Tupinambá e Açaizal dos Mundurukus, no Pará, e acompanha a trajetória do jovem comunicador Cristian Arapiun. “Terra Dos Índios” apresenta a viagem que o cineasta Zelito Viana fez em 1977, para diferentes estados do Brasil, onde retratou a situação dos povos indígenas, e “Da Terra Dos Índios Aos Índios Sem Terra”, sequência que reproduz uma entrevista dada pelo antropólogo Darcy Ribeiro em 1977, na voz de Marcos Palmeira, e tem a participação de convidados, como o antropólogo indígena Gersem Baniwa.
“Amazônia Sociedade Anônima”, de Estevão Ciavatta, é um documentário que explica as consequências mundiais do desmatamento da floresta amazônica. Já “Gyuri”, de Mariana Lacerda, percorre o acervo precioso de Claudia Andujar, uma judia e sobrevivente da Segunda Guerra, que exilou-se no Brasil e dedicou a vida à salvaguarda dos povos Yanomami. “Uýra – A Retomada da Floresta”, de Juliana Curi, conta a história de Uýra, uma artista trans indígena, que viaja pela Amazônia em uma jornada de autodescoberta e de influências, a partir do movimento LGBTQIAPN+ na região.
O longa “A Serra do Roncador ao Poente”, de Armando Lacerda, conta a história do povo A’uwê Uptabi, mais conhecido como Xavante, do Mato Grosso. Em “O Contato”, de Vicente Ferraz, são exploradas as trocas multiétnicas na cidade indígena de São Gabriel da Cachoeira, local onde o Brasil se encontra com Colômbia e Venezuela. “Para’Í”, de Vinicius Toro, é uma ficção que apresenta Pará, menina guarani que se questiona sobre seu lugar no mundo.
Em “Rama Pankararu”, de Pedro Sodré, Paula é uma jornalista que chega a uma aldeia para fazer uma reportagem sobre incêndios criminosos durante o período das eleições brasileiras de 2018. “O Estranho”, de Flora Dias e Juruna Mallon, reflete sobre as memórias e histórias de Guarulhos, um território originalmente indígena onde funciona o maior aeroporto do Brasil. Já a trama do longa-metragem “A Terra Negra dos Kawa”, de Sérgio Andrade, se passa na região rural do Amazonas, onde um grupo de cientistas faz escavações em terrenos em busca de terra fértil para fins agrícolas, contudo, ao se aproximarem do sítio dos indígenas Kawa, notam que a terra tem poderes energéticos e sensoriais.