Nimuendajú: Animação brasileira é selecionada para Cannes
Distribuído internacionalmente pela O2 Play, longa-metragem de Tania Anaya narra a história de Curt Nimuendajú, cientista social que testemunhou a perseguição e expulsão dos indígenas de suas terras
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 12/05/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Teatro SABESP FREI CANECA
A animação Nimuendajú, de Tania Anaya, estará presente nos maiores festivais de cinema do mundo este ano. Selecionado para a prestigiosa seção Contrechamp do Festival de Animação de Annecy 2025, o filme também terá uma exibição no Marché du Film, que acontece durante o 78º Festival de Cannes. Distribuída no Brasil e na América Latina pela O2 Play, a produção é uma impactante cinebiografia em 2D e narra a história do alemão Curt Nimuendajú, que desembarcou no Brasil no início do século XX, e aqui viveu por 40 anos entre povos indígenas. Tornou-se também, um dos maiores cientistas sociais do país.
Este é o primeiro longa-metragem da mineira Tania Anaya, que conta mais de 30 anos de atuação no audiovisual e tem no currículo curtas consagrados, como Balançando Na Gangorra, premiado no 5º Festival Internacional de Animação do Japão – Hiroshima 1994, e Castelos De Vento, premiado com o Tatu de ouro na 25ª Jornada de Cinema Ibero-Americano da Bahia, em 1998 e ainda Ãgtux, documentário e animação, premiado em vários festivais, entre eles o de Oberhausen, na Alemanha, em 2007.
A inclusão de Nimuendajú nomaior festival de animação do mundo marca um passo importante do longa brasileiro no cenário internacional.
“Annecy é o lugar perfeito e o nosso sonho com esse filme era estrear neste festival que há mais de 60 anos homenageia os melhores da animação internacional. Para outros filmes brasileiros, como O Menino e o Mundo, foi um evento super importante para manter uma campanha de premiações que chegou até o Oscar”, comenta Igor Kupstas, diretor da O2 Play.
O ator alemão Peter Ketnath — , que tem grande atuação em produções brasileiras, como Passaporte para a Liberdade e Cinema, Aspirinas e Urubus —, dá voz a Nimuendajú, interpretando as intensas cartas que o personagem escreve à irmã na Alemanha, e ao amigo Carlos, relatando momentos críticos de sua trajetória pela terras indígenas. O filme tem a participação das comunidades Apinayé, Canela Rankokamekra e Guarani.
Com produção de Anaya Produções Culturais e coprodução da peruana Estúdio Apus, o filme chega ao Brasil no segundo semestre deste ano.
Cena da animação Nimuendajú (Reprodução) |
Sinopse
O filme narra a história de Curt Unckel, alemão de nascimento, que tornou-se um dos maiores cientistas sociais do Brasil. Ele chegou ao país aos 20 anos e viveu até sua morte, em 1945. Por 40 anos, Curt conviveu com diferentes povos indígenas. Em 1906, batizado pelos Guarani de Nimuendajú, “aquele que encontrou seu lugar no mundo”, ele abandonou seu sobrenome de família para adotar o nome indígena. Sua trajetória é marcada pela busca incessante da compreensão de diversas culturas e pela vivência profunda com elas. Nimuendajú foi também uma testemunha indignada do processo de perseguição e expulsão dos povos indígenas de suas terras por latifundiários e pelo governo.