Nikolas Ferreira é denunciado por apologia a golpe de Estado
Deputada Erika Hilton aciona Procuradoria contra Nikolas Ferreira e Flávio Bolsonaro por incitação à intervenção estrangeira no Brasil
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 05/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) tornou-se o centro de um novo pico de tensão no cenário político nacional nesta segunda-feira (5). A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) protocolou uma representação criminal junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o parlamentar mineiro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A denúncia acusa ambos de fazerem apologia ao crime de golpe de Estado e de incitarem uma intervenção militar dos Estados Unidos no território brasileiro, ferindo a soberania nacional prevista na Constituição.
Publicações de Nikolas Ferreira na mira da Justiça
A representação criminal fundamenta-se em uma série de postagens recentes nas redes sociais. Em uma delas, o deputado Nikolas Ferreira compartilhou uma montagem digital que retrata o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sendo capturado por tropas norte-americanas. O parlamentar também republicou declarações do presidente sobre a Venezuela acompanhadas de um vídeo de Donald Trump em postura intimidadora, utilizando a legenda: “Te cuida, larápio”.
Para Erika Hilton, tais atitudes extrapolam a imunidade parlamentar e configuram um ataque direto às instituições democráticas. Ao anunciar a denúncia em seus perfis oficiais, a deputada não poupou críticas: “Respeitem o Brasil! Como autoridades, eles deveriam ser os primeiros a respeitar a nossa soberania”, afirmou. O senador Flávio Bolsonaro também é citado na peça jurídica por publicações que sugerem fraudes eleitorais e atacam a reputação do chefe do Executivo.
Embate com Thiago Santineli e pedido de escolta
Paralelamente ao processo na PGR, o deputado Nikolas Ferreira envolveu-se em uma polêmica pública com o humorista Thiago Santineli. No último domingo, Santineli criticou duramente as postagens do parlamentar, mencionando o termo “desligado” em uma analogia a um ativista conservador estrangeiro. A declaração foi interpretada pelo Partido Liberal (PL) como uma ameaça direta à integridade física do deputado.
Em resposta, o líder da oposição na Câmara, deputado Cabo Gilberto Silva, emitiu uma nota de repúdio e solicitou oficialmente escolta policial para Nikolas Ferreira. Segundo a liderança do PL, as palavras do humorista ultrapassaram as barreiras da liberdade de expressão. “Sugerir que um parlamentar democraticamente eleito deve ser ‘desligado’ é um ato criminoso que exige resposta imediata das autoridades de segurança”, declarou Silva.
Limites da liberdade de expressão em xeque
O episódio envolvendo Nikolas Ferreira leva, mais uma vez, o debate sobre as responsabilidades dos representantes eleitos e os limites do discurso político no ambiente digital. Enquanto a defesa do deputado alega que suas postagens são críticas políticas amparadas pela liberdade de opinião, a representação de Hilton sustenta que a incitação a intervenções externas e golpes de Estado são condutas tipificadas no Código Penal.
A PGR deve analisar os termos da denúncia nos próximos dias para decidir se abrirá um inquérito formal. Enquanto isso, o clima de polarização entre a base governista e a oposição permanece acirrado, com o uso de redes sociais como o principal campo de batalha jurídico e ideológico. O caso de Nikolas Ferreira torna-se emblemático para definir até onde vai o direito à crítica e onde começa a ameaça à ordem democrática no Brasil de 2026.