Em noite de destaque no Morumbi, Neymar voltou a atuar com a camisa do Santos no estádio do São Paulo após um hiato de 13 anos. E não decepcionou. Na segunda-feira (4), o camisa 10 marcou dois gols na vitória por 3 a 1 sobre o Juventude, resultado que tirou o clube da Vila Belmiro da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro.
Após a partida, além da boa performance, o atacante chamou a atenção ao elogiar o gramado do Morumbi e criticar duramente os campos com grama sintética, como o do Allianz Parque, casa do Palmeiras.
“Jogar no Allianz, para mim, é impossível. Jogar em society é algo que incomoda qualquer jogador, independente das lesões. O Morumbi é muito bom e me sinto melhor. Me sinto bem nesse campo“, declarou Neymar.
Essa foi a primeira vez que o craque atuou no Morumbi desde abril de 2012, quando também marcou em uma vitória do Santos por 3 a 1 contra o São Paulo, válida pelas semifinais do Campeonato Paulista daquele ano.
Santos ainda enfrentará três gramados sintéticos no Brasileirão
O clássico entre Palmeiras e Santos no Allianz Parque está previsto para acontecer apenas no dia 30 de novembro, pela 32ª rodada do Brasileirão. Até lá, Neymar ainda terá que encarar mais dois gramados artificiais: o Santos visita o Atlético-MG na Arena MRV no dia 14 de setembro e depois encara o Botafogo no Nilton Santos em 19 de novembro, ambos estádios também utilizam superfície sintética.
A crítica de Neymar ao piso artificial, no entanto, não é isolada. No início do ano, o jogador foi um dos principais nomes a assinar um manifesto coletivo que protestava contra o uso de grama sintética no futebol brasileiro.
“Preocupante ver o rumo que o futebol brasileiro está tomando. É um absurdo a gente ter que discutir gramado sintético em nossos campos“, dizia o texto intitulado “Futebol é natural, não sintético!”, também assinado por jogadores como Gabigol, Philippe Coutinho e Thiago Silva.
“Objetivamente, com o tamanho e a representatividade que tem o nosso futebol, isso não deveria nem ser uma opção.“
Polêmica entre atletas e clubes ainda divide opiniões
Apesar da insatisfação dos jogadores, especialmente quanto à sensação de que as travas das chuteiras ficam mais presas nas fibras artificiais, o que, segundo eles, aumenta o risco de lesões, os estudos científicos sobre o tema ainda não são conclusivos.
Em resposta ao manifesto assinado por Neymar e outros atletas, o Palmeiras rebateu o posicionamento:
“Não há qualquer comprovação científica de que o risco de lesão em campos artificiais seja maior do que em campos naturais. Pelo contrário: recente estudo publicado pela revista The Lancet Discovery Science aponta que a incidência de contusões em jogos de futebol disputados em gramados artificiais é inferior à de lesões em campos naturais“, declarou o clube.
Manifestação de Neymar nas redes socias no ínicio deste ano. l Foto: Reprodução/Instagram
O estudo citado revelou que a ocorrência de lesões em campos artificiais pode ser até 14% menor do que em gramados naturais. Segundo os autores, a estabilidade e uniformidade da superfície sintética podem contribuir para a prevenção de lesões.
Por outro lado, os atletas argumentam que campos naturais bem cuidados, como é esperado em competições de elite como o Brasileirão, também oferecem esse nível de estabilidade, mas com menos impacto nas articulações.
Neymar em alta no retorno ao Brasileirão
O reencontro com o Morumbi parece ter feito bem a Neymar, que vem ganhando ritmo após sua volta ao Santos. Os dois gols marcados diante do Juventude não apenas tiraram o Peixe do Z4 como também serviram para mostrar que o camisa 10 segue sendo decisivo mesmo em meio a um momento de reconstrução do clube.