Neurociência revela novas regras do aprendizado no cérebro humano

Descubra como novas pesquisas estão revelando os segredos do aprendizado cerebral e suas implicações para a ciência e inteligência artificial!

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O aprendizado humano é um processo fascinante e contínuo, onde diariamente indivíduos assimilam informações e formam memórias. Desde a prática de novos hobbies até a leitura de notícias, o cérebro humano tem a capacidade de armazenar essas experiências por longos períodos. Recentemente, uma pesquisa publicada na renomada revista Science trouxe à luz novas descobertas sobre as regras que regem o aprendizado cerebral.

O cérebro humano, composto por bilhões de neurônios, funciona através da transmissão de pulsos elétricos, semelhantes ao funcionamento do código binário em computadores. Esses neurônios se comunicam entre si por meio das sinapses, estruturas que conectam um neurônio a outro. As ramificações chamadas dendritos são responsáveis por receber múltiplas entradas elétricas e conduzir essas informações para o corpo celular do neurônio, onde são integradas para gerar respostas elétricas.

A atividade coordenada desses pulsos elétricos em grupos específicos de neurônios cria representações das diversas informações e experiências no cérebro. Durante décadas, a comunidade científica acreditou que o aprendizado se dava pela modificação das conexões entre os neurônios. À medida que novas experiências ocorrem, algumas sinapses se fortalecem enquanto outras se enfraquecem, um fenômeno conhecido como plasticidade sináptica.

No entanto, um aspecto ainda obscuro é como o cérebro decide quais sinapses devem ser alteradas durante esse processo. Para investigar isso, os pesquisadores monitoraram a atividade sináptica em tempo real enquanto camundongos aprendiam uma tarefa específica: pressionar uma alavanca em resposta a um sinal sonoro para obter água. Utilizando biossensores geneticamente codificados, os cientistas puderam observar como diferentes sinapses respondiam durante o aprendizado.

Uma das principais descobertas da pesquisa foi que as sinapses dentro de um único neurônio não seguem um padrão uniforme. Enquanto algumas aderiram à regra tradicional de Hebbian — onde neurônios que disparam juntos fortalecem suas conexões — outras mostraram padrões de comportamento distintos e independentes da atividade neuronal. Essa variação sugere que os neurônios podem utilizar simultaneamente diferentes conjuntos de regras para processar informações em diversas sinapses, permitindo um aprendizado mais adaptável e multifuncional.

As implicações dessas descobertas são vastas. Compreender como as conexões sinápticas mudam durante o aprendizado pode oferecer novas perspectivas sobre distúrbios cerebrais. Por exemplo, condições como a depressão podem resultar do enfraquecimento excessivo das sinapses em áreas específicas do cérebro. Ao elucidar os mecanismos normais da plasticidade sináptica, os cientistas esperam desenvolver tratamentos mais eficazes para esses transtornos.

Além disso, esses achados podem impactar o campo da inteligência artificial. Muitas redes neurais artificiais são inspiradas nos processos do cérebro humano, mas as regras de aprendizado utilizadas geralmente são homogêneas e pouco biologicamente plausíveis. As novas descobertas podem guiar a criação de modelos mais realistas e eficientes dentro da IA.

Apesar do avanço significativo proporcionado por essa pesquisa, ainda há muitas perguntas sem resposta. Os cientistas reconhecem que compreender por que diferentes grupos de dendritos aplicam regras distintas para aprendizado é um desafio que precisa ser enfrentado nas próximas investigações. À medida que mais pesquisas forem realizadas, espera-se aprofundar a compreensão sobre o funcionamento do cérebro e suas complexas dinâmicas de aprendizado.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 28/04/2025
  • Fonte: FERVER