Estudo revela que negros têm 49% mais risco de morte violenta

Pesquisa da USP revela que negros têm mais chances de serem vítimas de homicídio no Brasil. Desigualdade racial e geográfica nas mortes violentas.

Crédito: Divulgação/Freepick

Uma pesquisa recente, publicada na revista “Ciência & Saúde Coletiva”, revela que a população negra no Brasil enfrenta um risco significativamente maior de morte violenta em comparação com a população branca. Os dados analisados, referentes ao ano de 2022, indicam que indivíduos negros têm uma probabilidade 49% superior de serem vítimas de homicídio.

Negros no Brasil têm mais chances de serem vítimas de homicídio

O estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), utilizou a técnica estatística conhecida como escala de propensão. Este método permite comparar grupos de pessoas com características semelhantes em termos de idade, sexo e local de moradia, isolando a cor da pele como um fator independente relacionado ao risco de homicídio.

O médico Rildo Pinto, um dos autores da pesquisa e formado pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, explicou que a pesquisa envolveu uma análise cuidadosa onde foram controladas variáveis como escolaridade e estado civil, permitindo concluir que as disparidades na mortalidade violenta estão diretamente ligadas à cor da pele.

A análise se baseou em dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), disponíveis no Portal Brasileiro de Dados Abertos, e informações populacionais do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A pesquisa examinou as diferenças regionais e raciais nos homicídios utilizando técnicas geoestatísticas.

Os resultados demonstraram uma maior concentração de homicídios na região Nordeste do país. Por outro lado, as regiões Sul e Sudeste apresentaram índices mais baixos. De acordo com os dados coletados, o perfil das vítimas tende a ser predominantemente masculino, jovem, negro, solteiro e com baixa escolaridade. Nas áreas identificadas como hot spots de violência, 90% das vítimas eram negras ou pardas.

Uma área específica entre os estados da Paraíba e do Rio Grande do Norte chamou a atenção dos pesquisadores por sua falta de dados claros sobre homicídios. Rildo Pinto sugeriu que essa lacuna pode ser atribuída à subnotificação de óbitos, fenômeno conhecido como homicídio oculto. “Essa situação pode distorcer a percepção sobre a mortalidade real naquela região”, afirmou.

Para os autores do estudo, é essencial que os resultados sejam utilizados para influenciar políticas públicas eficazes. Rildo Pinto enfatizou a importância da troca de experiências entre diferentes regiões para o desenvolvimento de modelos adaptados às realidades locais. “É crucial que as ações sejam orientadas para o benefício da população e não apenas para interesses políticos”, destacou.

A pesquisa também sugere que a metodologia utilizada poderia ser replicada em níveis mais locais para aprofundar a compreensão das dinâmicas violentas em municípios e bairros específicos. “A redução da violência contra grupos vulneráveis beneficia toda a sociedade”, concluiu Pinto.

Os achados evidenciam não apenas a desigualdade racial nas taxas de homicídio no Brasil, mas também as variações geográficas na violência. O acesso a essas informações é fundamental para promover transformações sociais e incentivar o exercício da cidadania entre os cidadãos.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 23/01/2026
  • Fonte: Fever