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China extingue o embargo à carne bovina brasileira e vai participar em projetos eólicos no país

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China autoriza oito frigoríficos brasileiros a vender carne bovina ao país

A negociação entre Brasil e China para o fim do embargo à carne bovina brasileira chegou ao fim na manhã desta terça-feira, 19, quando a ministra Kátia Abreu recebeu o ministro da Administração de Inspeção de Qualidade e Quarentena da China, Vhi Shiping, e obteve a habilitação de plantas.

A ministra fechou um acordo para que, além do fim do embargo à carne bovina, sejam abertos também os negócios, com a autorização de plantas frigoríficas que possam vender carne para o país.

O acordo prevê que oito plantas de carne bovina sejam reabertas imediatamente e que outras 17 sejam habilitadas no futuro. O acordo desta terça prevê também a reabilitação imediata de uma planta de aves que havia sido suspensa em 2012 em função de divergências sobre o corte do produto.

Cada uma das 26 plantas, contando a de aves, tem potencial para gerar US$ 20 milhões em negócios por ano, o equivalente a US$ 520 milhões no total. Parte das tratativas ocorreram no país asiático, na semana passada, quando uma série de documentos foram preparados em conjunto entre o Ministério da Agricultura brasileiro e o governo chinês.

O fim do embargo estava definido e faltava apenas um acordo sanitário, que será assinado nesta terça-feira. Apesar disso, os negócios não poderiam ser efetivados até que os chineses dessem autorizações para que plantas frigoríficas pudessem vender.

A ministra anunciou a medida na manhã de hoje, durante uma coletiva de imprensa no Ministério da Agricultura, em Brasília, antes de ir para a cerimônia no Palácio do Planalto. “Acabamos de entregar uma pasta com toda a documentação em inglês. Ele saiu daqui com toda a promessa de uma cooperação rápida, de que tem toda disposição de ajudar”, disse a ministra à reportagem.

Kátia Abreu afirmou que combinou com o ministro chinês de ir à China em junho para buscar a autorização das demais plantas que não foram habilitadas hoje. “Também estamos negociando transgênicos. Eles querem regras próprias para produção de transgênicos”, disse a ministra. Segundo ela, está se negociando um acordo de cooperação entre a Embrapa e os chineses para isso. Essa negociação ocorrerá no fim do dia entre ela e Han Changfun, ministro da Agricultura da China.

China deve participar também de acordo em 11 projetos de parques eólicos

Deve ser assinado nesta terça-feira, 19, no Palácio do Planalto, um acordo de conclusão de transferência de ações da EDPR (Brasil) para o Grupo de Três Gargantas sobre projeto de energia eólica de 321MW.

De acordo com documento obtido com exclusividade pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, o acordo inclui 11 projetos de parques eólicos, concluídos ou em construção, localizados nas regiões Sudeste e Nordeste do Brasil.

Dona da maior hidrelétrica do mundo, o grupo China Three Gorges reafirmou hoje seu interesse em construir a hidrelétrica de São Luiz do Tapajós, usina estimada em mais de R$ 30 bilhões que o governo quer erguer na Amazônia. Durante a Cúpula Empresarial Brasil-China, evento que reúne empresários chineses e representantes do governo no Palácio do Itamaraty, Zhu Guangchao, executivo que representa a China Three Gorges, lembrou que a companhia já assinou um “acordo de cooperação estratégica” no ano passado com a estatal Furnas, para construir a hidrelétrica na região de Itaituba, no Pará.

“Queremos muito participar desse projeto no Brasil. É um projeto de longo prazo, de profundo interesse para nós”, disse Zhu. Com 8.040 megawatts de potência planejada, São Luiz do Tapajós é o maior projeto hidrelétrico do governo.

O empreendimento enfrenta forte resistência ambiental, por conta de seus impactos a uma região completamente protegida da Amazônia. Outro obstáculo é o impacto em terras indígenas localizadas na região prevista para a usina. Depois de dois anos de tentativas, o governo ainda não conseguiu comprovar a viabilidade ambiental do projeto.

O grupo chinês é dono da usina de Três Gargantas, parque de 22.500 megawatts de potência localizado no Rio Yang Tsé, na China. Atualmente, o principal nome da investida chinesa no setor elétrico brasileiro é a State Grid, estatal que já venceu o leilão de uma das linhas de Belo Monte e que se prepara para disputar mais um polo de transmissão da hidrelétrica.

O primeiro empreendimento prevê investimento de R$ 5 bilhões. O segundo pode ultrapassar R$ 7 bilhões. A State Grid também é responsável pela linha de transmissão de usinas do complexo Tele Pires, no Mato Grosso. O texto do acordo era dado como negociado pelas autoridades brasileiras ontem à noite, mas ainda não foi oficializado. O acordo faz parte de uma série de atos que serão assinados durante a viagem de Li Keqiang, primeiro ministro da China, e mais 150 empresários ao Brasil.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 19/05/2015
  • Fonte: FERVER