Negociações indiretas entre Irã e EUA iniciam em Omã Amid Tensions

Negociações EUA-Irã iniciam em Omã, focando no programa nuclear. Expectativas baixas para acordo, mas diálogo é crucial em meio a tensões.

Crédito: FotosPúblicas

Neste sábado, 12 de agosto, representantes do Irã e dos Estados Unidos deram início a um ciclo de negociações em Omã, em meio a um cenário de crescente tensão entre as duas nações. O encontro ocorre em um momento crítico, uma vez que o programa nuclear iraniano avançou rapidamente desde o retorno do presidente Donald Trump ao cargo, levantando preocupações sobre a possibilidade de um confronto militar.

Embora a expectativa de um acordo abrangente seja baixa neste momento, as conversas representam um marco significativo nas relações entre os dois países, que têm enfrentado quase meio século de antagonismo. Trump já havia alertado sobre possíveis ataques aéreos ao programa nuclear iraniano caso as negociações não evoluíssem positivamente, enquanto autoridades do Irã sinalizam uma crescente disposição para buscar armamento nuclear, com estoques de urânio enriquecido se aproximando dos níveis necessários para tal.

A chegada de um jato particular proveniente da Rússia ao aeroporto de Omã na manhã deste sábado chamou a atenção. O enviado dos EUA para o Oriente Médio, Steve Witkoff, teve uma reunião com o presidente russo Vladimir Putin na véspera do encontro. Enquanto isso, o Ministério das Relações Exteriores do Irã divulgou imagens de Abbas Araghchi, principal diplomata iraniano, se reunindo com Badr al-Busaidi, seu homólogo omanense. De acordo com a agência estatal IRNA, Araghchi apresentou os pontos-chave da posição iraniana a serem discutidos com os EUA.

As negociações estão sendo conduzidas de maneira indireta. Testemunhas da Associated Press observaram um comboio que supostamente transportava Witkoff deixando o Ministério das Relações Exteriores de Omã e se dirigindo rapidamente para uma localidade próxima a Mascate. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, confirmou através da plataforma social X que as discussões haviam iniciado.

Em declarações aos jornalistas após o encontro, Araghchi destacou que o sucesso das negociações dependerá da vontade mútua das partes envolvidas. “Ainda é cedo para discutir um cronograma”, afirmou ele. “As conversas são exclusivamente sobre questões nucleares e devem ser realizadas com o objetivo de garantir os interesses nacionais do povo iraniano”, acrescentou.

Witkoff também abordou a dinâmica das conversas, afirmando que os Estados Unidos buscam o desmantelamento completo do programa nuclear iraniano como condição inicial para qualquer acordo futuro. Ele enfatizou que não poderia haver militarização da capacidade nuclear do Irã.

A proposta americana inclui possíveis alívios nas sanções econômicas impostas ao Irã, mas ainda não está claro quais concessões Teerã estaria disposto a fazer em troca. O acordo nuclear firmado em 2015 limitava o enriquecimento de urânio iraniano a 3,67%, enquanto atualmente o país possui estoques que possibilitam a fabricação de várias armas nucleares caso opte por esse caminho.

O Irã mantém um nível de enriquecimento que chega até 60%, o que representa apenas um passo técnico para atingir níveis adequados para armamento nuclear. Historicamente, o regime iraniano já manifestou sua intenção de continuar com o enriquecimento até pelo menos 20%, o que complicaria ainda mais as negociações atuais.

A postura irredutível do Irã em relação ao seu programa nuclear reflete preocupações históricas sobre desmantelamentos forçados. O líder supremo Ali Khamenei frequentemente utiliza o destino do ex-líder líbio Muammar Kadafi como um exemplo do risco associado à confiança nas promessas americanas, especialmente após sua morte durante uma revolta popular em 2011.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 12/04/2025
  • Fonte: FERVER