Nas escolas brasileiras, 1,4 milhão de estudantes não têm água tratada

A maior parte desses alunos é negra

Crédito: Pedro França/Agência Senado

O acesso à água tratada nas escolas é um direito fundamental que impacta diretamente a saúde e o aprendizado dos estudantes. No Brasil, um estudo recente revelou que aproximadamente 1,4 milhão de alunos matriculados em instituições de ensino público não têm acesso a água potável, sendo que a maior parte desse contingente pertence a escolas predominantemente negras. Essa realidade não apenas expõe uma grave violação de direitos humanos, mas também destaca uma das muitas facetas da desigualdade racial que permeia o sistema educacional brasileiro. Os dados coletados pelo Instituto de Água e Saneamento e pelo Centro de Estudos e Dados sobre Desigualdades Raciais (Cedra) indicam que as escolas são classificadas conforme a predominância racial de seus alunos. Esta classificação é crucial, pois permite uma análise mais aprofundada das condições em que os estudantes negros se encontram. A pesquisa demonstra que as chances de um aluno estar em uma escola com predominância negra sem acesso a água tratada são cerca de sete vezes maiores do que em uma escola predominantemente branca. A falta de água potável não se limita apenas ao aspecto do consumo; ela reflete um problema sistêmico que afeta a infraestrutura das escolas e, consequentemente, a qualidade do ensino. Sem água tratada, o risco de doenças aumenta, e isso impacta diretamente a frequência escolar e o desempenho acadêmico dos alunos. Assim, os dados revelam não apenas números, mas histórias de vidas interrompidas pela ausência de condições básicas para uma educação saudável. Além disso, a pesquisa também aponta para a complexidade dessa questão ao destacar que algumas escolas podem ter outras fontes de água, como moringas ou filtros artesanais. Contudo, isso não é suficiente para garantir um fornecimento adequado e seguro. A carência por água tratada torna-se ainda mais crítica quando consideramos o contexto das escolas que servem comunidades historicamente marginalizadas. Conforme os dados avançam, fica evidente que o desafio da falta de acesso à água tratada nas escolas está profundamente enraizado nas desigualdades sociais e raciais do Brasil. É imprescindível compreender essa dinâmica para abordar as soluções necessárias e efetivas para mitigar esses problemas. A próxima seção explorará mais detalhadamente como essas disparidades se manifestam na realidade das escolas em termos de saneamento básico.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 11/12/2024
  • Fonte: Sorria!,