Museu Judaico de SP exibe acervo raro de sobrevivente do Holocausto
Instituição recebe itens históricos da ocupação nazista na França e sedia lançamento de livro sobre a infância de criança refugiada.
- Publicado: 11/04/2026 09:19
- Alterado: 11/04/2026 09:19
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: MUJ
O Museu Judaico de São Paulo promove no dia 12 de abril o evento Ressignificando a Vida para oficializar a doação de documentos inéditos sobre o Holocausto. O acervo pertencia à família de Charlotte Goldsztajn Wolosker, sobrevivente da Segunda Guerra Mundial, e passará a integrar o catálogo permanente da instituição paulistana.
A programação conta com uma miniexposição dos artefatos recém-doados e um bate-papo conduzido por Charlotte e sua filha, Silvia Wolosker Levi. O encontro marca também o lançamento da obra biográfica La Petite Charlotte: Memórias de Dor e Raízes de Amor, que terá a renda dos direitos autorais revertida integralmente ao local.
Registros históricos da ocupação francesa
Os visitantes encontrarão relíquias preservadas ao longo de oito décadas pela família Goldsztajn. A coleção abriga um passaporte polonês, papéis de repatriação emitidos pelo governo da França e o registro de transferência para o campo de extermínio de Auschwitz. Um desenho datado de 1941, feito pelo pai de Charlotte no campo de Pithiviers, integra a exibição.
“Há muitos documentos produzidos na França durante a ocupação nazista, o que difere da maior parte dos registros preservados a que já tive acesso, tradicionalmente associados à Alemanha e Polônia”, ressaltou Roberta Sundfeld, diretora de Acervo e Memória. A pesquisadora afirma que a incorporação do material amplia a compreensão sobre as diferentes dimensões da tragédia.
O resgate da infância e o papel do Museu Judaico
A publicação de La Petite Charlotte narra a jornada de sobrevivência de uma menina judia afastada dos pais aos quatro anos de idade, no auge das deportações em 1942. A criança sobreviveu após ser escondida em um convento e acolhida por uma família católica no interior francês. Os manuscritos surgiram da necessidade de Silvia em registrar o passado materno para as novas gerações.
“Em um momento em que o antissemitismo e a intolerância voltam a crescer, compartilhar essas vivências é uma forma de lembrar que as histórias de famílias como a minha não podem ser esquecidas”, destacou a autora. O projeto editorial rompe o silêncio mantido pelos parentes durante décadas sobre o trauma da perseguição e a posterior imigração para o Brasil.
O público debaterá o tema ao lado do cientista político André Lajst e da doutora em Ciências da Religião Andréa Kogan. “Revisitar essas memórias nunca é fácil, mas é importante que as pessoas saibam o que aconteceu. Se a minha história puder ajudar alguém a valorizar mais a vida, o respeito ao outro, então tudo isso ganha um novo sentido”, finalizou Charlotte.
A preservação e a discussão pública desses fragmentos históricos reforçam a missão do Museu Judaico na conscientização social contemporânea e no combate ao negacionismo. O evento acontece a partir das 11h, com entrada aberta ao público interessado em testemunhar a reconstrução de uma vida pautada na resiliência e na memória coletiva.