Museu do Ipiranga amplia acessibilidade com foco em diversidade
O Museu do Ipiranga investe em recursos de acessibilidade e contrapontos históricos para democratizar o acesso e representar a diversidade
- Publicado: 30/05/2026 14:44
- Alterado: 30/05/2026 14:44
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: FolhaPress
O Museu do Ipiranga, localizado na zona sul de São Paulo, consolidou uma meta ambiciosa desde sua reinauguração em 2022: tornar-se uma referência global em inclusão. O projeto busca transformar a experiência dos visitantes, permitindo que o público interaja com o acervo por meio de múltiplos sentidos e se veja representado nas narrativas históricas apresentadas pela instituição.
Inovação curatorial e o fim do visocentrismo
A transformação em curso no Museu do Ipiranga propõe a superação do modelo tradicional de contemplação, focado exclusivamente na visão. Sob a liderança da educadora Denise Peixoto, o museu implementa a “acessibilidade curatorial“, integrando o toque ao discurso central das exposições.
Diferente das reproduções comuns em impressões 3D, a instituição utiliza uma coleção didática composta por objetos reais, adquiridos em feiras de antiguidades. Essa estratégia permite que os visitantes explorem texturas autênticas de pedra, tecido e madeira. Segundo Tato Carbonaro, diretor de comunicação da Fundação de Apoio ao Museu Paulista, o Museu do Ipiranga já disponibiliza 350 materiais diferentes para ampliar a experiência sensorial das obras.
Representatividade e contrapontos históricos
Além da acessibilidade física, o Museu do Ipiranga investe na revisão das narrativas históricas. Vídeos de contraponto foram instalados em diversas salas para oferecer versões alternativas à história oficial.
- Bandeirantes: Ao lado de representações clássicas dos sertanistas, vídeos apresentam depoimentos de povos indígenas sobre os impactos das expedições expansionistas.
- Populações Negras: Depoimentos abordam a disputa por visibilidade em territórios historicamente marcados pela branquitude.
- Recursos Inclusivos: Todos os dispositivos de vídeo contam com legendas e tradução em Libras (Língua Brasileira de Sinais).
Para a professora Solange Lima, docente da instituição, essa iniciativa é fundamental para “friccionar e tensionar o discurso oferecido”, criando um canal de diálogo direto com a sociedade contemporânea.
Novas formas de interagir com a arte
Recentemente, o Museu do Ipiranga recebeu uma versão tátil do quadro “Independência ou Morte”, de Pedro Américo. Trata-se de um diorama tridimensional em escala reduzida, produzido pelas artesãs Célia Santiago e Helaine Malka. Outro colaborador essencial é o artesão Jofe Santos, de 70 anos, que já lapidou sete representações em granito para o museu, incluindo um pelourinho.
“Impossível não me emocionar, não pensar na minha ancestralidade e em tudo que viveram. É um trabalho importante para ajudar as pessoas a entenderem melhor as coisas”, afirma Santos.
Expansão e planos futuros para o Museu do Ipiranga
O planejamento estratégico do Museu do Ipiranga prevê medidas ainda mais abrangentes. Denise Peixoto defende a implementação de visitas noturnas para atender trabalhadores e estudantes, além de exposições itinerantes em bairros periféricos de São Paulo.
Outros projetos em análise pela Fundação de Apoio ao Museu Paulista (FAAMP) incluem:
- Adoção de linguagem simples em todas as descrições e informativos.
- Criação de salas de descompressão para pessoas neurodivergentes.
- Formação de grupos de escuta sistemática com a comunidade LGBTQIAPN+.
Embora a FAAMP ainda discuta a viabilidade financeira e os prazos para essas novas etapas, o compromisso com a democratização do acesso ao patrimônio permanece como o pilar central da gestão atual.