Museu da Pessoa mostra transformação de famílias de SBC
Cabine itinerante registra depoimentos sobre o cotidiano dos moradores do Jardim Silvina e as mudanças sociais ocorridas com a chegada da casa própria
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 11/03/2014
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Do passado temerário com noites mal-dormidas por conta dos riscos de deslizamentos e alagamentos, para uma realidade com perspectivas de realização. Estes são apenas alguns dos relatos de moradores do Jardim Silvina capturados por câmeras de vídeo para os arquivos do Museu da Pessoa, que, em parceria com a Secretaria de Habitação, vem desenvolvendo o projeto “Minha Casa, Minha Cara, Minha Vida” na cidade. A iniciativa é patrocinada pela ASP (Assessoria Social e Pesquisa), responsável pelo trabalho social nos núcle os habitacionais daquela localidade. Hoje, a realidade das famílias é outra, com a conquista da casa nova. De 2009 para cá, o bairro já foi beneficiado com 1.072 unidades habitacionais, de um total de cerca de 4 mil já entregues no mesmo período em todo o município.
O PROJETO VISA ESTREITAR OS LAÇOS DAS FAMÍLIAS COM SEU NOVO LOCAL DE MORADIA.
Os depoimentos coletados, segundo Tássia Regino, secretária de Habitação, farão parte de exposição que futuramente será feita na região do Silvina com os vídeos dos depoimentos e também com fotografias antigas e outras mais recentes feitas pelos próprios moradores, a partir da transformação de suas respectivas realidades a partir da aquisição da casa nova.
Beneficiada há cerca de um ano com um apartamento, a dona de casa Maria Magalhães Sobral, 42 anos, buscou na memória um momento do passado que espera esquecer em breve. O sonho da casa própria, conta, durou 20 anos. “Morei muitos anos em um barraco ao longo do córrego. Sempre que chovia colocava meus filhos pequenos no beliche porque a água invadia tudo. Uma vez fomos salvos pela vizinha, que nos ajudou a sair pelos fundos. Por pouco não fomos levados pela água. Agora mudou muito nossas vidas. Tive até depressão naquela época”, disse.
“Após as melhorias (entrega das residências), achamos que era importante fazer esse momento de reflexão, para que o cidadão conte a sua história, a partir desse componente que é a casa. É uma estratégia para reforçar o vínculo e valorizar aquilo que foi conquistado”, disse Tássia, referindo-se ao projeto.
De acordo com a coordenadora do programa desenvolvido pelo Museu da Pessoa, Rosana Miziara, os depoimentos serão editados (terão em média três) e em breve poderão ser vistos no portal da entidade (www.museudapessoa.net). Os depoimentos são tomados em um estúdio do próprio museu, montado na EMEB Nilo Campos Gomes (rua Flora Bulcão L. Vertemate, s/nº).
O trabalho do Museu da Pessoa visa democratizar a construção da memória social por meio da valorização de histórias de vida. O material coletado é organizado e disseminado por meio de produtos culturais como livros, exposições, documentários e sites, e utilizado posteriormente em projetos socioculturais, colaborando com a transformação da cultura e dos valores pessoais e coletivos.
Em 20 anos de atuação, o Museu da Pessoa inspirou a criação de três outros museus (EUA, Canadá e Portugal) e conta com acervo de 15 mil depoimentos de histórias de vida e 72 mil documentos e imagens que contam a história de instituições, cidades e de grupos sociais diversos.