Com o Muralha Paulista, São Paulo aumentou o número de prisões
Sistema estadual conecta câmeras e inteligência artificial para combater a criminalidade e eleva o número de capturas de foragidos.
- Publicado: 03/05/2026 16:31
- Alterado: 03/05/2026 16:31
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: Agência SP
O programa de segurança Muralha Paulista ajudou as forças policiais do estado de São Paulo a ampliarem a captura de criminosos procurados nos últimos anos. A integração de bancos de dados governamentais e tecnologias de monitoramento elevou o número de prisões de 60 mil, em 2022, para mais de 82 mil no ano de 2025. O avanço tecnológico impactou diretamente a repressão aos delitos na região.
Como funciona o Muralha Paulista na prática
O tenente-coronel Rodrigo Villardi, coordenador do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), explicou a engrenagem por trás dos resultados operacionais. O sistema unifica o acesso de policiais a leitores de placas, câmeras de reconhecimento facial e diferentes bases de informações criminais em tempo real.
“A ideia é que a cada dia mais o estado seja um lugar mais tranquilo para que a população possa viver e o criminoso cumpra a lei”, afirmou o militar durante entrevista ao videocast SP POD, da Agência SP. Apenas a partir de 2024, as forças de segurança registraram mais de 10 mil detenções diretas relacionadas a foragidos da polícia e casos de agressão contra mulheres.
O número de sensores espalhados pelos municípios paulistas saltou de 6 mil para quase 20 mil no intervalo de três anos. A estrutura do Muralha Paulista engloba o cadastro voluntário de imagens provenientes de prefeituras, condomínios e estabelecimentos privados. A junção dessas fontes comunitárias e estatais agiliza a identificação de veículos furtados e pessoas desaparecidas.
Inteligência semântica e segurança nos estádios
O envio de alertas automáticos ocorre de forma imediata quando os algoritmos reconhecem um indivíduo procurado pela Justiça ou veículo suspeito. A ferramenta de busca semântica auxilia os agentes a localizarem carros e suspeitos por meio de características visuais específicas, como cor ou modelo, superando a falta de informações completas.
As autoridades estaduais aplicaram as ferramentas de biometria facial do Muralha Paulista ao esquema de segurança de grandes eventos esportivos. O monitoramento de mais de 100 partidas de futebol resultou na captura de cerca de 300 alvos judiciais nas arquibancadas e arredores dos estádios.
“Nós tivemos um caso em que o mandado de prisão tinha saído algumas horas antes. É comunicação imediata, que dá agilidade e faz valer as decisões judiciais”, relatou Villardi. O tempo de resposta reduzido impede que acusados transitem livremente sem serem detectados pela polícia.
Combate contínuo à violência doméstica
O aparato de segurança pública processa ativamente os dados das tornozeleiras eletrônicas de agressores em conjunto com o aplicativo SP Mulher Segura. Os alertas do Muralha Paulista acionam automaticamente as viaturas policiais assim que um indivíduo monitorado ultrapassa o limite de restrição estabelecido por juízes. A sincronização garante intervenção tática antes mesmo da vítima notar a ameaça.
Novos investimentos em expansão tecnológica
O governador Tarcísio de Freitas confirmou recentemente a destinação de R$ 160 milhões para a ampliação contínua da rede de vigilância. O pacote governamental engloba a aquisição de 5 mil novas câmeras com recursos nativos de busca inteligente e reconhecimento de rostos.
O estado instalará os equipamentos adquiridos em rodovias cruciais, entradas de cidades e diretamente nas viaturas de patrulhamento diário. A expansão de conectividade do Muralha Paulista busca sufocar a mobilidade do crime organizado e restaurar o controle territorial das forças públicas nas ruas.