Mulheres que fizeram história: Leila Diniz

Uma mulher revolucionária, com talento, carisma, beleza, que revolucionou os costumes em plena ditadura militar.

Crédito:

Leila Roque Diniz, nasceu em 25 de março de 1945, Niterói, Rio de Janeiro. Aos 15 anos começou a trabalhar como professora do maternal e jardim de infância. Deixou de dar aulas por não se adaptar ás exigências dos pais, alunos e diretores da escola, pois na sala de aula, tirou a mesa de professor e adotou a mesa igual à dos alunos.

Aos 17 anos, ela se casa com o diretor Domingos de Oliveira, que fez sua primeira peça de teatro infantil dirigida pelo marido, “Em busca do tesouro”. Trabalhou também como corista do show de Carlos Machado, e estreia como atriz dramática em “O preço de um homem”. Mas era o cinema sua paixão, fez filmes como, “Todas as Mulheres do Mundo”, “O homem Nu”, “A Mandona de Cedro”, e o filme clássico, “Corisco, o diabo loiro”, e comédia, “O Donzelo”.

Seu casamento com Domingos de Oliveira durou apenas 3 anos, e deu início à carreira na televisão. Começou na TV Globo, com papéis pequenos, até trabalhar em “Eu compro essa mulher”. Mas sua imagem nacional veio com o personagem Madelon de “O sheik de Agadir”, de Gloria Magadan. Depois disso passou a ser convidada para novelas, principalmente da Tupi e Excelsior. No total de 12 telenovelas e várias peças teatrais.

No cinema, estreou “O mundo alegre de Helô”, participou da co- produção entre “Brasil e México” e “Jogo Perigoso”.

Em 1968 vai á Alemanha representar “Fome de Amor”, no Festival de Berlim.

Já em 1969, é publicada em “O Pasquim”, uma entrevista que entraria para a história. Nunca uma mulher brasileira tinha falado de sexo de uma forma tão aberta na imprensa. Cada trecho da entrevista era colocado um asterisco, para substituir os palavrões falados por Leila Diniz. Se tornando uma entrevista de escândalo nacional. E foi depois dessa publicação que foi instaurada a censura prévia á imprensa, conhecido como “Decreto Leila Diniz”.

Depois dessa entrevista à TV Globo não renovou o contrato. Sem a renovação do contrato, Leila recebe ajuda do apresentador Flávio Cavalcanti, se tornando jurada no programa dele, dando notas aos aspirantes e cantores.

Mais tarde dá início a carreira de vedete, protagoniza “Tem banana na banda”.

Das mãos de Virginia Lane, recebe o título de “Rainha das Vedetes”, e “Madrinha da banda de Ipanema”.

Leila se casa com o cineasta Ruy Guerra, com quem tem uma filha, Janaína. E escandalizou o país, ao desfilar gravida de biquíni pelas areias de Ipanema. A imagem se tornou várias capas de revista e foi eleita a grávida do ano no programa do Chacrinha.

Deixa o Brasil em junho para representar “Mãos vazias” no Festival de cinema da Austrália. Mas antecipa a viagem com saudades da filha, partindo antes do encerramento.

No dia 14 de Julho de 1972, o avião em que viajava explodiu no ar, quando sobrevoava Nova Délhi, na Índia; Leila tinha apenas 27 anos, deixando Janaína de sete meses, que ficou com sua amiga Marieta Severo e o cantor e compositor Chico Buarque, até o pai ter condições de cuidar da filha.

Sua morte causou comoção nacional e deu início à formação de um mito de uma mulher revolucionária, que rompeu tabus através das ideias e atitudes.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 25/03/2014
  • Fonte: FERVER