Mulheres brasileiras têm menos filhos e adiam maternidade, revela IBGE
Média de filhos por mulher despenca para 1,55
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 27/06/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Teatro SABESP FREI CANECA
Dados recém-divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam uma significativa mudança no comportamento reprodutivo das mulheres brasileiras, conforme os resultados do Censo Demográfico de 2022. A pesquisa, que abrange mulheres com idades entre 15 e 49 anos, indica que o número médio de filhos por mulher caiu para 1,55.

Historicamente, a taxa de fecundidade total tem mostrado uma trajetória de declínio desde a década de 1960. Naquela época, a média era de 6,28 filhos por mulher. Desde então, a queda foi gradual: 5,76 em 1970; 4,35 em 1980; 2,89 em 1991; e 2,38 em 2000. Em 2010, a taxa já havia diminuído para 1,90 filhos por mulher.

Maternidade
Atualmente, essa taxa encontra-se abaixo do índice considerado necessário para a reposição populacional estável, que é de 2,1 filhos por mulher. Marla Barroso, pesquisadora do IBGE, destaca que a análise da fecundidade é crucial para entender as dinâmicas demográficas, como o crescimento populacional e o envelhecimento da sociedade.
A transição na fecundidade começou nas décadas de 1960 nas regiões mais desenvolvidas do Sudeste do Brasil e se espalhou gradualmente pelo restante do país. No Sudeste, a taxa caiu de 6,34 filhos por mulher em 1960 para apenas 1,41 em 2022, o que representa o menor índice entre as regiões brasileiras.
No Sul do Brasil, a taxa também apresentou uma redução considerável ao longo dos anos, atingindo 1,50 em 2022. O Centro-Oeste seguiu um padrão semelhante com uma taxa de fecundidade de 1,64. Por outro lado, as regiões Norte e Nordeste mostraram quedas significativas até os anos 90, embora ainda apresentem taxas superiores em comparação com as outras regiões. O Norte registrou uma taxa de fecundidade de 1,89 em 2022 e o Nordeste chegou a 1,60.
A análise dos estados revela que Roraima é a única unidade da federação que ultrapassa a taxa de reposição populacional com uma média de 2,19 filhos por mulher. Amazonas e Acre seguem com taxas relativamente altas de 2,08 e 1,90 respectivamente. Em contrapartida, estados como Rio de Janeiro (1,35), Distrito Federal (1,38) e São Paulo (1,39) apresentam os índices mais baixos.
Além da diminuição na quantidade de filhos por mulher, o Censo também indica que as mulheres estão adiando a maternidade. A idade média para ter o primeiro filho aumentou de 26,3 anos em 2000 para 28,1 anos em 2022. Essa tendência é observada em todas as regiões do país.

No que diz respeito ao número crescente de mulheres sem filhos ao final da idade reprodutiva (50-59 anos), os dados apontam um aumento expressivo: subiu de 10% em 2000 para impressionantes 16,1% em 2022. A região Norte viu esse percentual saltar para quase o dobro.
As diferenças nas taxas de fecundidade também foram analisadas sob aspectos religiosos e raciais. Mulheres evangélicas apresentam uma taxa média superior à nacional (1,74), enquanto mulheres espíritas têm os menores índices (1,01). No recorte racial, mulheres amarelas possuem a menor taxa (1,20), enquanto indígenas superam a taxa de reposição com uma média de 2,8 filhos por mulher.
A escolaridade também desempenha um papel significativo na fecundidade: mulheres sem instrução ou com ensino fundamental incompleto têm uma média de 2,01 filhos; aquelas com ensino superior apresentam apenas 1,19 filhos por mulher. A gerente do IBGE Izabel Marri explica que o aumento da educação proporciona maior acesso à informação sobre contracepção e planejamento familiar.
Esses dados ressaltam as mudanças profundas nas dinâmicas familiares e sociais no Brasil contemporâneo e sugerem que políticas públicas devem ser adaptadas para atender às novas realidades reprodutivas da população brasileira.