MTGs: A revolução do funk brasileiro em 2024
Conheça o fenômeno cultural que está agitando as paradas e as redes sociais
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 17/12/2024
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
O ano de 2024 marcou a ascensão das MTGs no cenário musical brasileiro, transformando-se em uma nova vertente do funk que conquistou as paradas de sucesso. Este formato inovador trouxe à tona diversos hits e se destacou pela criatividade de seus produtores, refletindo um fenômeno cultural que se expandiu de Minas Gerais para todo o país.
Mas o que exatamente significa a sigla MTG? Ela representa “montagem”, um conceito já existente no universo do funk, que consiste na fusão de diferentes sons e melodias com novas batidas e efeitos sonoros. Embora a prática não seja novidade – com referências como “Montagem Jack Matador” desde os anos 90 – as MTGs emergiram como um capítulo distinto dessa tradição musical.
Em 2024, esse estilo ganhou popularidade principalmente devido à sua origem no funk de Belo Horizonte. A influência da capital mineira é evidente em muitas das faixas desse gênero, que frequentemente reimaginam músicas conhecidas, mesclando diferentes estilos, como evidenciado em “MTG Forró e Desmantelo”, que combina elementos do funk e forró. Este movimento reflete uma crescente aceitação do ecletismo musical no Brasil, onde gêneros como funknejo e pagonejo também se destacam.
A evolução das MTGs trouxe novas características ao formato. Ao contrário das montagens tradicionais, que costumavam mesclar múltiplas canções, as versões contemporâneas frequentemente reinterpretam uma única música, adicionando batidas dançantes e elementos marcantes do funk. De acordo com DJ Luan Gomes, importantes características incluem o uso do “box” (trompete), sons agudos como o “whistle”, e uma percussão distinta, com uma cadência de 130 BPM, além de um estilo mais minimalista.
Os DJs têm desempenhado um papel crucial neste fenômeno. Produtores como DJ JZ e MC Mininin comemoraram o sucesso de “MTG Quero Te Encontrar”, alcançando 100 milhões de reproduções. Contudo, a burocracia relacionada aos direitos autorais tem sido um desafio significativo para muitos deles, dificultando a disponibilidade dessas músicas nas plataformas oficiais. Assim, muitas MTGs circulavam inicialmente nas redes sociais antes de chegarem oficialmente às plataformas de streaming.
Dentre os destaques de 2024 está DJ Topo, cujo remix “MTG Quem Não Quer Sou Eu” se tornou um hit nacional, liderando as paradas por mais de um mês e ocupando a quarta posição entre as músicas mais ouvidas no Spotify Brasil. A inspiração para essa faixa veio do sucesso de outras MTGs já estabelecidas, demonstrando a interconexão dentro deste novo estilo.
Além disso, artistas consagrados como Caetano Veloso também se aventuraram nas MTGs. O cantor lançou uma versão de “Você é Linda” produzida por Davi Kneip, enquanto Duda Beat utilizou esse formato para promover seu álbum “Tara e Tal” com versões MTG de suas músicas. Por outro lado, nem todos os artistas estão dispostos a adaptar suas obras ao novo estilo. O produtor Mulú enfrentou dificuldades ao tentar liberar sua faixa inspirada em Billie Eilish, resultando na criação da versão “MTG Chihiro”, que contou com a participação de Duda Beat.
Ainda é cedo para prever se as MTGs se consolidarão como uma tendência duradoura na música brasileira. No entanto, muitos acreditam que este formato tem espaço para crescer ainda mais dentro do panorama musical nacional. DJ Luan Gomes observa: “Acredito que não é uma coisa passageira. Tem muita música pra fazer ainda… A MTG é algo que pode só crescer mais.”