MST promove Jornada Nacional pela natureza e contra o agronegócio
Ações destacam impactos ambientais e defendem a Reforma Agrária como alternativa à crise climática
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 02/06/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
Ao longo desta semana, até o próximo dia 7 de junho, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realiza a 16ª Jornada Nacional da Juventude Sem Terra e a Jornada Nacional em Defesa da Natureza e Seus Povos, com uma série de ações para expor os crimes ambientais do agronegócio e apresentar a Reforma Agrária Popular como alternativa concreta à crise climática.
Com o lema “Reforma Agrária Popular: pela natureza e os povos para enfrentar a crise ambiental!”, as atividades acontecem em um ano crucial para a agenda ambiental global, com o Brasil se preparando para sediar a COP30, em Belém (PA). A organização das ações é feita pelo Coletivo de Juventude do MST e pelo Plano Nacional Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis.
Dia Mundial do Meio Ambiente marca ações em todo o país
As atividades se intensificam no dia 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, com ações de denúncia e mobilização popular. A dirigente Bárbara Loureiro afirma que, neste mês, as assembleias de base terão como tema “Crise ambiental e suas consequências”, com análise local dos impactos e busca por soluções coletivas.
Estão previstas ações como plantio de árvores, construção de viveiros e a campanha digital “Registros da Terra: O MST nos biomas brasileiros”, que mostra experiências sustentáveis em assentamentos. Vivências agroecológicas contrastam com o modelo predatório do agronegócio.
Jornada também toma cidades com arte e denúncia
Nos centros urbanos, o Coletivo de Juventude Sem Terra realiza oficinas de lambes e cartazes em 11 estados e projeções públicas com temáticas ambientais em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Belém. No Paraná, será feita a semeadura de 21 toneladas de palmeira juçara, espécie ameaçada da Mata Atlântica.
Também serão realizados Tribunais Populares, que julgarão simbolicamente crimes ambientais emblemáticos em diferentes regiões, como as enchentes no Rio Grande do Sul, as queimadas no Ceará, a pulverização de agrotóxicos no Maranhão, o desmatamento no Mato Grosso e conflitos minerais em Minas Gerais.
Para Fernanda Farias, da coordenação do Coletivo Nacional de Juventude do MST, a Jornada busca dar visibilidade à vulnerabilidade de grupos sociais historicamente afetados pela crise ambiental: “A luta pela vida da terra é uma luta pela nossa vida, por nossos corpos e territórios”, afirmou.
As ações acontecem em um contexto de alta tensão no campo, com 35 assassinatos por conflitos de terra registrados só em 2023, segundo dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Ao mesmo tempo, o MST busca incidir nos debates da COP30, criticando propostas como a regulamentação de mercados de carbono, classificadas como “falsa solução” para a crise climática.