MST acusa governo Lula de inflar dados sobre assentamentos rurais

Movimento contesta números e aponta falta de avanços concretos

Crédito: Joédson Alves/ Agência Brasil

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) elevou o tom das críticas ao governo federal ao acusar o Ministério do Desenvolvimento Agrário de divulgar dados inflados sobre novos assentamentos no país.

Segundo representantes do movimento, áreas ainda não reconhecidas legalmente como desapropriadas estão sendo contabilizadas como entregues, o que, na avaliação do MST, não representa mudanças reais para as famílias que seguem acampadas.

O principal foco de insatisfação é a gestão do ministro Paulo Teixeira, que vem sendo pressionado a deixar o cargo.

O movimento chegou a suspender o diálogo com o ministro e estuda intensificar suas ações de mobilização para reforçar as críticas ao governo Lula.

Caso em Minas Gerais vira símbolo da disputa

Entre os exemplos citados pelo MST está o Acampamento Quilombo Campo Grande, localizado no município de Campo do Meio, no sul de Minas Gerais.

O local abriga famílias do movimento desde o final dos anos 1990. Em março deste ano, o presidente Lula esteve no assentamento e assinou decretos de desapropriação, num gesto que foi visto à época como um sinal de reaproximação com os sem-terra.

Entretanto, o MST alega que, passados mais de três meses, o processo segue paralisado. Sem a homologação da Justiça, os assentados continuam sem acesso a crédito agrícola e a outros programas de apoio à produção.

“O processo ficou parado após aquela demonstração de compromisso do presidente. Não se moveu mais nenhum centímetro”, afirmou Silvio Netto, da coordenação nacional do MST. Segundo ele, se Lula soubesse da situação, o ministro Paulo Teixeira já teria sido exonerado.

Governo defende ações e cita obstáculos herdados

O Ministério do Desenvolvimento Agrário nega as acusações de manipulação dos dados e afirma que está cumprindo os trâmites legais com transparência. De acordo com a pasta, a inclusão das áreas na lista de novos assentamentos ocorre após a finalização das análises técnicas e o empenho de recursos para a desapropriação.

Maíra Coaraci, diretora de obtenção de terras do Incra, explicou que o atraso na aprovação do Orçamento Geral da União, só liberado em abril, afetou o andamento dos processos. Ela disse ainda que a ação judicial referente ao caso de Campo do Meio está sendo preparada e deverá ser apresentada em breve. Segundo Maíra, a expectativa é que as famílias comecem a sentir os efeitos concretos da desapropriação ainda este ano.

O governo também atribui parte das dificuldades à desestruturação das políticas de reforma agrária durante a gestão de Jair Bolsonaro. Apesar disso, o MST, que apoiou a eleição de Lula em 2022, tem endurecido o discurso. Lideranças como Jaime Amorim e Silvio Netto acusam o ministério de apresentar “números irreais” e afirmam que a paciência com o governo está chegando ao fim.

Durante evento recente, o próprio presidente Lula reconheceu as insatisfações e cobrou agilidade da equipe. “Se for fácil, eu faço. Se for difícil, eu faço. Se não puder fazer, eu peço desculpas”, disse Lula ao se dirigir ao ministro Paulo Teixeira.

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  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 15/06/2025
  • Fonte: Sorria!,