Mr. Olympia 2025 consolida liderança no fisiculturismo mundial

Vitórias históricas, força feminina e crescimento da indústria fitness marcam a nova era do esporte no país e do Mr. Olympia

Crédito: Suzana Rezende / ABCdoABC

O Mr. Olympia 2025 se tornou um divisor de águas para o fisiculturismo brasileiro. Após conquistas inéditas em Las Vegas e uma edição nacional marcada pela presença de ídolos e empresários do setor, o evento reforçou o Brasil como uma das maiores potências da modalidade no mundo.

A conferência do Mr. Olympia realizada em São Paulo reuniu grandes nomes do esporte, como Felipe Franco, Angela Borges, Marcos Ferrari e o CEO da Muscle Contest International, Tamer El Guindy, que exaltaram o avanço da categoria e o impacto econômico e cultural da indústria fitness.

“Nunca tivemos um número tão grande de atletas brasileiros competindo em Vegas. A quinta edição do Michelângelo Brasil reúne mais de 40 marcas expositoras, e isso mostra o quanto o setor está crescendo”, destacou uma das organizadoras, durante a abertura do encontro.

A presença de atletas consagrados e o apoio de figuras políticas e empresariais revelam o amadurecimento de um mercado que hoje movimenta bilhões de reais em nutrição esportiva, suplementação e eventos, atraindo cada vez mais o público leigo e novos investidores.

O protagonismo de Ramon Dino e a força do novo Brasil

A consagração de Ramon Dino como campeão mundial no Mr. Olympia simbolizou não apenas uma vitória individual, mas um marco histórico para o país.

“Em 70 anos, o fisiculturismo brasileiro levou, em média, cinco atletas para o Olympia. Desde 2018, quando chegou a MPC Muscle Contest, passamos a levar cerca de 30 competidores”, explicou Tamer El Guindy, fundador do Olympia Brasil e CEO da Muscle Contest International.

Segundo ele, o feito de Ramon no Olympia representa o esforço coletivo de uma geração de atletas que mudou o rumo do esporte no país. “O que define um grande campeão são as derrotas. Ramon não venceu sozinho, foi o Brasil que ganhou. Hoje o país é considerado uma nação que, depois dos Estados Unidos, mais influencia o fisiculturismo mundial”, afirmou.

Além de Ramon, as atletas Natália Coelho e Eduarda Bezena também brilharam no Olympia nas categorias femininas, consolidando a presença brasileira no topo do pódio. A vitória dos três foi celebrada por todo o setor como um símbolo de união e superação.

“Quando o Ramon ganhou, todos nós ganhamos com ele. Isso é muito bom para o mercado e para a imagem do esporte”, disse um dos organizadores.

“Hoje o fisiculturismo é uma indústria que envolve medicina, nutrição, tecnologia e educação. Não é apenas músculo, é um movimento social e econômico.”

Felipe Franco: esporte, política e representatividade

Deputado estadual e ex-atleta, Felipe Franco tem se tornado uma das vozes mais ativas na defesa do esporte. Durante a conferência do Mr. Olympia Brasil, ele reafirmou o compromisso de levar a pauta do fisiculturismo para dentro do poder público.

“Sou o primeiro deputado estadual em exercício, fisiculturista, a destinar 100% das minhas emendas ao esporte. Mas sozinho é difícil. Precisamos unir poder público e iniciativa privada para fortalecer o segmento”, afirmou Franco.

O parlamentar defendeu ainda a inclusão do esporte no ambiente educacional, destacando projetos voltados à prevenção e à formação de valores. “A base da educação e o esporte têm que andar juntos. Trabalhar isso desde a escola é investir na saúde, na segurança e no futuro”, completou.

Franco também foi lembrado pelo gesto simbólico de recepcionar os campeões brasileiros com um carro do Corpo de Bombeiros, uma cena que entrou para a história da modalidade. “Quando imaginaríamos ver atletas do fisiculturismo sendo ovacionados por milhares de pessoas nas ruas? Isso mostra que o esporte conquistou o povo”, destacou.

A ascensão feminina e o desafio da representatividade

O protagonismo feminino também foi tema central do Mr. Olympia 2025. Atleta e empresária, Angela Borges destacou o papel das mulheres como empreendedoras e educadoras dentro do universo fitness.

“Hoje a musculação ultrapassou a estética. Vejo mães, donas de casa e até adolescentes entrando nas academias em busca de saúde e longevidade. Minha missão é mostrar que cuidar de si é a melhor forma de amar quem está ao seu redor”, declarou Borges.

Ela também ressaltou a necessidade de união entre as mulheres do setor:

“O que ainda falta é apoio entre nós. Quando um conteúdo masculino é publicado, ele ganha muito mais engajamento. Precisamos compartilhar mais o trabalho feminino para sermos vistas e valorizadas.”

Em resposta, Tamer El Guindy reforçou a visão de que o crescimento da categoria feminina depende também do engajamento do público consumidor: “Não acredito que exista machismo no esporte. O que há é uma relação direta de consumo. Se o público assistir mais às mulheres, o mercado vai reagir, porque ele segue o comportamento do público.”

A organizadora Ana Paula Bonilla complementou: “Cada vitória feminina abre espaço para muitas outras. Quando uma ganha, todas avançam. É uma corrente de inspiração.”

Inclusão e diversidade: um novo horizonte para o fisiculturismo

O debate sobre representatividade também abordou a presença de atletas LGBTQIA+ nos campeonatos. Os organizadores afirmaram que o esporte está aberto a todos e já apoia competições específicas, como o campeonato Trans Muscle, voltado para atletas transgênero.

“Não há discriminação. Se um atleta LGBT estiver ganhando e tiver uma boa resposta do público, ele será reconhecido. O que conta é o desempenho e o mérito esportivo”, afirmou Tamer.

Felipe Franco acrescentou que “a abertura para todos os públicos é o caminho natural da evolução do esporte. O fisiculturismo é uma ferramenta de inclusão, e quanto mais diversidade tivermos, mais forte será o movimento.”

Indústria bilionária e influência cultural

O impacto do Mr. Olympia vai muito além dos palcos. A expansão das marcas de suplementação, academias e eventos transformou o fisiculturismo em um mercado que ultrapassa 250 milhões de dólares anuais, com crescimento contínuo previsto para os próximos anos.

“Estamos falando de um aumento de 43% no consumo de suplementos até 2024. De 2025 em diante, a tendência é crescer ainda mais”, explicou um dos palestrantes.

Empresas de alimentos e bebidas também entraram na onda fitness, como destacou um jornalista presente: “Hoje vemos até linhas como a Seara Protein chegando às prateleiras, inspiradas nesse estilo de vida.”

Para Tamer El Guindy, esse sucesso é fruto da crença no potencial brasileiro: “O Brasil é um gigante no fisiculturismo. Eu não fiz nada além de mostrar ao mundo o que o brasileiro é capaz. Só falta o brasileiro acreditar que o Brasil é o melhor país do mundo.”

O legado do Mr. Olympia 2025

Com o crescimento da visibilidade, a força das mulheres, a inclusão de novos públicos e o engajamento político em favor do esporte, o Mr. Olympia 2025 consolida o Brasil como potência global no fisiculturismo.

Mais do que músculos e medalhas, o evento celebra a união entre saúde, disciplina, diversidade e empreendedorismo, valores que refletem a transformação de um país que aprendeu a se enxergar nas vitórias de seus atletas.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 17/10/2025
  • Fonte: Fever