MP-SP aponta motéis usados pelo PCC para lavagem de dinheiro
Operação apreende quase R$ 1 milhão, arma, celulares e computadores
- Publicado: 19/01/2026
- Alterado: 26/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: TUCA
Na última quinta-feira, dia 25, a Receita Federal deu início à Operação Spare, uma ação que expôs um esquema de lavagem de dinheiro operado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) envolvendo uma rede de motéis. As investigações revelaram que esses estabelecimentos movimentaram cerca de R$ 450 milhões entre 2020 e 2024, sendo a maioria registrada em nomes de ‘laranjas‘.
A investigação destaca que as atividades ilícitas do PCC não se limitam apenas ao setor de combustíveis. Além disso, os envolvidos estão associados a quase cem franquias, mais de sessenta motéis e até empreendimentos imobiliários.
O Ministério Público identificou diversos motéis utilizados no esquema, localizados na capital paulista, na região metropolitana e na Baixada Santista. Entre os estabelecimentos mencionados estão:
- Maramores Empreendimentos Hoteleiros (Ribeirão Pires)
- Motel Uma Noite em Paris (Itaquaquecetuba)
- Motel Chamour (Parque do Carmo, zona leste de São Paulo)
- Motel Casual (Santo André)
- Sunny Empreendimentos Hoteleiros (Santo André)
- Mille Motel (Jardim São Paulo, zona leste da capital paulista)
- Marine Empreendimentos Hoteleiros (São Bernardo do Campo)
- Ceesar Park Empreendimentos Hoteleiros (Vila Alpina, zona leste de São Paulo)
- Motel Vison (Guarulhos)
- Sodoma Motel (Itaquera)
- RCS Empreendimentos Hoteleiros (Santos)
- São Vicente Empreendimentos Hoteleiros (São Vicente)
O empresário Flávio Silvério Siqueira foi apontado como o principal operador da lavagem de dinheiro vinculada ao PCC. A operação incluiu mandados de busca e apreensão contra ele. As investigações indicam que os motéis, embora registrados em nomes de terceiros, pertencem a Siqueira.
A defesa do empresário negou veementemente qualquer envolvimento com atividades criminosas, afirmando que Silvério deixou o setor de combustíveis há mais de quinze anos e atualmente opera no ramo hoteleiro. Segundo seu advogado, Marco Antônio Gonçalves, as investigações não apresentaram provas concretas que liguem Silvério a atos ilícitos.
A operação também revelou que restaurantes associados aos motéis eram parte do esquema, com um deles reportando lucros de R$ 1,7 milhão após receitas de R$ 6,8 milhões entre 2022 e 2023.
Durante a execução da operação, foram apreendidos quase R$ 1 milhão em espécie, uma arma, além de vinte celulares e computadores.
A Receita Federal observou que os recursos obtidos através das atividades ilícitas foram utilizados na aquisição de bens valiosos, incluindo imóveis avaliados em mais de R$ 20 milhões, um iate e helicópteros. O iate foi inicialmente registrado em nome de um motel do grupo e posteriormente transferido para uma empresa fantasma.
Entre os bens confiscados está um helicóptero Augusta A109E registrado em nome de um dos indivíduos investigados e um Lamborghini Urus avaliado em aproximadamente R$ 3 milhões adquirido por meio de uma empresa patrimonial.
A Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo impôs medidas cautelares fiscais que resultaram no bloqueio de R$ 7,6 bilhões em ativos relacionados a cinquenta e cinco investigados. O procurador-geral adjunto do estado, Caio Guzzardi, afirmou que as ações visam garantir a recuperação desses valores para os cofres públicos e sua destinação a políticas públicas.
A investigação do Ministério Público paulista revela que as apreensões e bloqueios são parte de uma estratégia mais ampla para desmantelar a estrutura financeira do crime organizado, que movimentou mais de R$ 4,5 bilhões nos últimos cinco anos com uma arrecadação tributária extremamente baixa.
O foco central da operação está vinculado a uma vasta rede de postos de combustíveis – cerca de quatrocentos – utilizados para lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. Também foram descobertas administradoras desses postos que movimentaram R$ 540 milhões no mesmo período.