Mourão admite plano golpista, mas classifica como ‘conspiração tabajara’
Ex-vice-presidente minimiza tentativas de ruptura, nega envolvimento e defende união da direita para 2026
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 16/12/2024
- Autor: Redação
- Fonte: Teatro SABESP FREI CANECA
O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), e ex-vice-presidente durante a administração de Jair Bolsonaro, reconheceu a existência de movimentações golpistas dentro de setores das Forças Armadas que buscavam uma ruptura institucional após as eleições de 2022. No entanto, ele caracteriza essas ações como uma “conspiração tabajara”, sem fundamentos para ser efetivamente implementada.
Em entrevista ao jornal O Globo, Mourão afirmou: “Houve conversas informais, mas não resultaram em nenhuma ação concreta. Na terminologia militar, essas movimentações não podem ser classificadas como táticas, pois não houve uma coordenação prática. Foram apenas reflexões sem consequência real”.
O ex-vice-presidente também refletiu sobre seu papel durante o governo, enfatizando que a função não possui um espaço definido na estrutura governamental. Em sua análise, a derrota de Bolsonaro na corrida presidencial de 2022 foi mais atribuída a peculiaridades pessoais do ex-presidente do que aos méritos de Luiz Inácio Lula da Silva, atual presidente.
Mourão projetou que um candidato da oposição poderia vencer Lula se houver uma união das forças políticas à direita nas próximas eleições. Ele ressaltou que a tentativa de golpe careceu de apoio dos altos comandos militares e elogiou a postura do general Marco Antônio Freire Gomes, que na época se opôs à ideia de ruptura.
A Polícia Federal destacou que Freire Gomes rejeitou o convite para participar da conspiração, afirmando que “o Exército não pode ser um fator de instabilidade”. Mourão apoiou essa visão, afirmando: “Um movimento desse tipo apenas mergulharia o país em um caos. A decisão do general Freire Gomes foi correta”.
No relatório final da investigação sobre a tentativa de golpe, Mourão é mencionado em mensagens trocadas entre o tenente-coronel Sérgio Cavaliere e um contato identificado apenas como “Riva”. Riva alegou que Mourão teria discutido a possibilidade de assumir a presidência em caso de afastamento de Bolsonaro. O senador negou veementemente qualquer envolvimento em tais reuniões, descrevendo-as como “conversas sem fundamento” entre pessoas desinformadas.
Bolsonaro
Ao comentar sobre sua relação com Bolsonaro, Mourão minimizou as especulações sobre um distanciamento, enfatizando que o vice-presidente deve manter uma postura discreta e que a dinâmica política evoluiu naturalmente entre eles ao longo do tempo.
Braga Netto
Recentemente, o ex-ministro Walter Braga Netto foi preso por obstrução à justiça, evento que ocorreu após a entrevista concedida por Mourão. Questionado sobre essa situação, o senador não se manifestou.
Lula
Mourão também avaliou que Lula conquistou a presidência em 2022 devido a deficiências na gestão Bolsonaro, destacando os impactos negativos da pandemia de covid-19 nas decisões políticas do então presidente. Ele ressaltou a importância da comunicação responsável em áreas técnicas durante crises sanitárias.
Sobre o futuro político, o senador acredita que Lula poderá ser desafiado na próxima eleição caso haja uma união sólida entre as forças à direita. Embora reconheça que há diversas possibilidades no cenário eleitoral brasileiro, ele evitou mencionar nomes específicos como potenciais candidatos à oposição. “É fundamental apresentarmos uma frente unida”, concluiu.
Mourão elogiou ainda a atuação do atual ministro da Defesa, José Múcio, e expressou suas preocupações com as recentes intervenções do Legislativo no orçamento federal através das emendas impositivas. Apesar disso, ele se opõe à intervenção do Supremo Tribunal Federal (STF) nesse contexto.