Motta enfrenta pressão de anistia sob sombra de Arthur Lira
Entre pressões do centrão e influência de Lira, Motta tenta firmar espaço próprio
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 08/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Após sete meses no cargo, Hugo Motta (Republicanos-PB), o mais jovem presidente da Câmara dos Deputados, enfrenta um cenário político repleto de desafios. Sua gestão, marcada por altos e baixos, é frequentemente ofuscada pela influência de seu antecessor, Arthur Lira (PP-AL), que continua a exercer um papel significativo nos bastidores da política nacional.
No mês de agosto, Lira se destacou em várias negociações cruciais, mesmo que sua presença nas mídias e no plenário seja relativamente escassa, refletindo seu estilo discreto ao longo de sua trajetória política. A crise provocada por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro resultou em ocupações no plenário da Câmara, onde a resolução foi discutida em um encontro entre Motta e Lira.
Foi nesse mesmo gabinete que se firmou um acordo com bolsonaristas, permitindo que Motta retomasse a presidência após um breve impasse. O novo presidente enfrentou dificuldades para fazer cumprir sua autoridade quando alguns deputados de oposição resistiram em deixar seus postos, o que quase levou à sua saída do cargo.
Motta tentou suspender os mandatos desses parlamentares opositores, mas não obteve apoio suficiente dentro da Mesa Diretora da Câmara. Para tentar preservar sua liderança, ele optou por não colocar imediatamente em votação os termos do acordo que não havia participado, embora a pressão sobre ele continuasse intensa.
Em seguida, a Câmara se preparou para discutir a PEC da blindagem, uma proposta apoiada por Lira e pelo centrão, que busca garantir imunidade a parlamentares em processos e investigações. Essa proposta já havia sido rejeitada anteriormente e gerou resistência de diversos partidos, levando Motta a adiar a votação.
A discussão sobre a anistia ganhou força nas semanas seguintes, especialmente após o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) mobilizar esforços para viabilizar uma votação favorável ao ex-presidente Jair Bolsonaro e outros acusados de participar de atos golpistas. Em um giro inesperado, Motta manifestou a possibilidade de colocar essa questão em pauta pública.
Até então relutante em ceder às pressões, ele tem defendido publicamente um texto mais moderado em comparação com as propostas mais extremas apresentadas por aliados bolsonaristas. O clima se intensificou após uma visita de Lira a Bolsonaro em Brasília, onde as discussões sobre a votação da proposta tomaram novos rumos.
Os apoiadores de Motta ressaltam que as votações significativas na Câmara demonstram seu respaldo entre os parlamentares. Eles argumentam que ele está liderando debates importantes como a reforma administrativa e mantém uma relação colaborativa com Lira. Apesar dos esforços para contatar o parlamentar, até o momento não houve retorno.
Aos 35 anos, prestes a completar 36 anos, Motta sempre navegou habilmente pelas diversas correntes políticas da Casa. Sua trajetória inclui ser aliado próximo de figuras poderosas como Eduardo Cunha durante sua presidência e dos sucessores Rodrigo Maia e Arthur Lira. O apoio amplo que recebeu na eleição para o cargo foi essencial para sua ascensão.
Com seu primeiro turno garantido com facilidade e um leque diversificado de apoio político desde o PT até o PL — este último associado à proposta de anistia — Motta ainda enfrenta críticas pela falta de resolução em questões pendentes como essa. Os acordos firmados por ele têm sido questionados até por seus próprios aliados.
A relação com o governo federal tem passado por oscilações significativas; momentos de maior alinhamento foram seguidos por situações tensas. Em uma dessas ocasiões, ele se tornou alvo de críticas nas redes sociais quando conduziu a votação que suspendeu mudanças nas alíquotas do IOF propostas pelo presidente Lula.
No desfile de 7 de Setembro deste ano, Hugo Motta foi uma das poucas autoridades externas ao governo presentes ao lado do presidente Lula na Esplanada dos Ministérios, evidenciando seu papel ainda relevante na política nacional em meio a um cenário complexo.