Motta descarta clima para anistia ampla e critica plano contra autoridades
Presidente da Câmara destaca resistência no Congresso e censura atuação de Eduardo Bolsonaro nos EUA
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 11/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), manifestou em entrevista à revista Veja que não vê um ambiente favorável entre os parlamentares para a aprovação de uma anistia ampla, geral e irrestrita, conceito frequentemente utilizado por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que atualmente enfrenta acusações de golpismo no Supremo Tribunal Federal (STF).
Durante a entrevista, Motta enfatizou que o clima no Congresso Nacional é adverso para discutir uma anistia dessa magnitude. “A percepção que tenho ao dialogar com os colegas é de que há resistência em relação a uma anistia abrangente. A gravidade dos eventos recentes, incluindo o planejamento de ações violentas contra indivíduos, dificulta essa possibilidade. Não acredito que haja espaço para justificar a anistia de quem atuou dessa maneira”, afirmou.
Apesar de sua posição crítica, o presidente da Câmara reconheceu a importância de discutir a questão da anistia, ressaltando que tanto o conteúdo da proposta quanto sua viabilidade devem ser amplamente debatidos antes de serem levados à votação no plenário.
Para que um tema como a anistia seja colocado em pauta, Motta destacou que é necessário obter uma maioria no colégio de líderes, grupo responsável por definir as votações semanais. Ele mencionou um entendimento entre o PL e o centrão para avançar com propostas relevantes, mas apontou a oposição do Partido dos Trabalhadores (PT) como um obstáculo.
“Quando houver uma maioria consolidada, esta presidência não irá obstruir as pautas de votação. O colégio de líderes sempre foi o espaço adequado para construir consensos”, afirmou Motta, frisando sua abertura para discutir qualquer assunto sem preconceitos.
Na avaliação do presidente da Câmara, a recente ocupação das Mesas Diretoras da Câmara e do Senado por membros bolsonaristas enfraqueceu o apoio das pautas oposicionistas. Ele observou que mais de 400 parlamentares não estão de acordo com esse tipo de obstrução.
Como consequência desse movimento, o centrão e o PL uniram forças para pressionar pela votação de propostas relacionadas à mudança do foro privilegiado e à proteção dos congressistas contra ações do STF nesta semana.
Motta também criticou Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que se encontra licenciado em viagem aos Estados Unidos e tem promovido uma campanha para que Donald Trump influencie as autoridades brasileiras na defesa do ex-presidente Bolsonaro. “Não posso aceitar que um parlamentar fora do país trabalhe em ações que possam prejudicar a economia nacional. Isso é inaceitável”, declarou.
Ele acrescentou que Eduardo poderia defender suas crenças políticas e argumentar a inocência do ex-presidente, mas nunca em detrimento do país. “Quando isso acontece, acredito que nem mesmo seus eleitores ou apoiadores concordam”, completou.
Por fim, Motta informou que o caso de Eduardo será analisado pelo Conselho de Ética, seguindo os trâmites normais como qualquer outro caso semelhante.