STF libera mototáxi em SP
Mototáxis devem seguir normas como idade mínima e colete de segurança
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 12/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
Para exercer a função de mototáxi, o condutor deve atender a uma série de requisitos, incluindo ter pelo menos 21 anos, possuir Carteira Nacional de Habilitação (CNH) na categoria A e utilizar colete de segurança que inclua faixas retrorreflexivas.
Recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF) revogou, em 10 de novembro, a legislação estadual que conferia aos municípios de São Paulo a capacidade de proibir ou regulamentar o serviço de mototáxi. Essa decisão reestabelece a legalidade dessa profissão no estado, alinhando-se com a prática em outras regiões do Brasil.
Requisitos para atuar como mototaxista
A legislação federal que rege o transporte de passageiros em motocicletas está delineada na Lei nº 12.009, de 2009. Para operar legalmente como mototaxista, o condutor deve satisfazer os seguintes critérios:
- Idade mínima de 21 anos;
- Possuir habilitação na categoria A por um período mínimo de dois anos;
- Ser aprovado em curso especializado;
- Utilizar colete de segurança com faixas retrorreflexivas.
A motocicleta utilizada deve estar equipada com:
- Dispositivos de proteção para as pernas e o motor;
- Aparador de linha instalado no guidão;
- Alças metálicas traseiras e laterais para transporte seguro de passageiros.
Normas das plataformas de transporte
As principais plataformas digitais, como Uber e 99, implementam regras que estão em conformidade com a legislação federal para os mototaxistas. Confira abaixo as diretrizes estabelecidas por cada aplicativo:
99
- A motocicleta deve ter documentação regularizada;
- Conformidade com normas municipais específicas para mototáxi, quando existentes;
- Proibição do uso de motos alugadas;
- Motos sem assento para passageiro não são aceitas;
- Nenhuma restrição quanto ao modelo ou idade do veículo.
Uber
- A motocicleta deve ter documentação regularizada;
- Uso de motos alugadas é proibido;
- Motos com placas vermelhas não são aceitas;
- Motos sem assento para passageiro não são permitidas.
A principal divergência entre as duas plataformas reside nas listas de modelos aceitos. Apesar das restrições, todas as dez motocicletas mais vendidas em 2025 estão autorizadas. Esses modelos incluem:
- Honda CG 160
- Honda Biz
- Honda Pop 110i
- Honda NXR 160 Bros
- Mottu Sport 110I
- Yamaha YBR 150
- Honda CB300F
- Honda PCX 160
- Yamaha Fazer 250
- Shineray XY 125
Crescimento do serviço no Brasil
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que o serviço de mototáxi está disponível em 2.925 dos 5.570 municípios do Brasil. Essa modalidade se tornou a terceira forma mais popular de transporte no país, presente em todos os estados brasileiros.
Apenas os serviços de van e táxi convencional superam o mototáxi em termos de abrangência municipal. O transporte coletivo por ônibus aparece atrás dessas opções, sendo oferecido em apenas 1.735 municípios.
Cabe ressaltar que o mototáxi é o único meio de transporte disponível em 21 cidades brasileiras.
- Aldeias Altas (MA);
- Anapurus (MA);
- Bacuritiba (MA);
- Lagoa Grande do Maranhão (MA);
- Palmeirândia (MA);
- Turilândia (MA);
- Itajá (RN);
- Jardim de Angicos (RN);
- Jundiá (RN);
- Pureza (RN);
- Santana do Matos (RN);
- Viçosa (RN);
- São Domingos do Cariri (PB);
- Flores (PE);
- Ipecaetá (BA);
- Monte Santo (BA);
- Nova Soure (BA);
- Serras Nova Dourada (MT);
- Britânia (GO);
- Cromínia (GO);
- Professor Jamil (GO).
A decisão do STF e suas implicações
No dia da decisão, o STF considerou inconstitucional a lei paulista que permitia que os municípios regulamentassem ou proibissem o serviço remunerado por motocicletas. O relator da matéria, ministro Alexandre de Moraes, acolheu a argumentação da Confederação Nacional de Serviços, destacando que a legislação estadual invadia competências exclusivas da União sobre transporte e trânsito.
Dessa forma, os municípios têm liberdade para regulamentar o funcionamento dos serviços, mas não podem impor proibições que inviabilizem sua operação.
A respeito da decisão, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, expressou preocupação quanto à segurança viária na cidade, citando um alto número de mortes envolvendo motociclistas e pedindo medidas que poderiam prevenir acidentes. A prefeitura possui até o dia 8 de dezembro para regulamentar adequadamente o serviço na capital paulista.
A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), representando empresas como Uber e 99, considerou a decisão uma conquista significativa para garantir segurança jurídica ao setor em todo o Brasil. A associação reiterou que o serviço é uma atividade legal e privada regida pela Política Nacional de Mobilidade Urbana.