STF libera mototáxi em SP

Mototáxis devem seguir normas como idade mínima e colete de segurança

Crédito: Prefeitura de SP

Para exercer a função de mototáxi, o condutor deve atender a uma série de requisitos, incluindo ter pelo menos 21 anos, possuir Carteira Nacional de Habilitação (CNH) na categoria A e utilizar colete de segurança que inclua faixas retrorreflexivas.

Recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF) revogou, em 10 de novembro, a legislação estadual que conferia aos municípios de São Paulo a capacidade de proibir ou regulamentar o serviço de mototáxi. Essa decisão reestabelece a legalidade dessa profissão no estado, alinhando-se com a prática em outras regiões do Brasil.

Requisitos para atuar como mototaxista

A legislação federal que rege o transporte de passageiros em motocicletas está delineada na Lei nº 12.009, de 2009. Para operar legalmente como mototaxista, o condutor deve satisfazer os seguintes critérios:

  • Idade mínima de 21 anos;
  • Possuir habilitação na categoria A por um período mínimo de dois anos;
  • Ser aprovado em curso especializado;
  • Utilizar colete de segurança com faixas retrorreflexivas.

A motocicleta utilizada deve estar equipada com:

  • Dispositivos de proteção para as pernas e o motor;
  • Aparador de linha instalado no guidão;
  • Alças metálicas traseiras e laterais para transporte seguro de passageiros.

Normas das plataformas de transporte

As principais plataformas digitais, como Uber e 99, implementam regras que estão em conformidade com a legislação federal para os mototaxistas. Confira abaixo as diretrizes estabelecidas por cada aplicativo:

99

  • A motocicleta deve ter documentação regularizada;
  • Conformidade com normas municipais específicas para mototáxi, quando existentes;
  • Proibição do uso de motos alugadas;
  • Motos sem assento para passageiro não são aceitas;
  • Nenhuma restrição quanto ao modelo ou idade do veículo.

Uber

  • A motocicleta deve ter documentação regularizada;
  • Uso de motos alugadas é proibido;
  • Motos com placas vermelhas não são aceitas;
  • Motos sem assento para passageiro não são permitidas.

A principal divergência entre as duas plataformas reside nas listas de modelos aceitos. Apesar das restrições, todas as dez motocicletas mais vendidas em 2025 estão autorizadas. Esses modelos incluem:

  • Honda CG 160
  • Honda Biz
  • Honda Pop 110i
  • Honda NXR 160 Bros
  • Mottu Sport 110I
  • Yamaha YBR 150
  • Honda CB300F
  • Honda PCX 160
  • Yamaha Fazer 250
  • Shineray XY 125

Crescimento do serviço no Brasil

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que o serviço de mototáxi está disponível em 2.925 dos 5.570 municípios do Brasil. Essa modalidade se tornou a terceira forma mais popular de transporte no país, presente em todos os estados brasileiros.

Apenas os serviços de van e táxi convencional superam o mototáxi em termos de abrangência municipal. O transporte coletivo por ônibus aparece atrás dessas opções, sendo oferecido em apenas 1.735 municípios.

Cabe ressaltar que o mototáxi é o único meio de transporte disponível em 21 cidades brasileiras.

  • Aldeias Altas (MA);
  • Anapurus (MA);
  • Bacuritiba (MA);
  • Lagoa Grande do Maranhão (MA);
  • Palmeirândia (MA);
  • Turilândia (MA);
  • Itajá (RN);
  • Jardim de Angicos (RN);
  • Jundiá (RN);
  • Pureza (RN);
  • Santana do Matos (RN);
  • Viçosa (RN);
  • São Domingos do Cariri (PB);
  • Flores (PE);
  • Ipecaetá (BA);
  • Monte Santo (BA);
  • Nova Soure (BA);
  • Serras Nova Dourada (MT);
  • Britânia (GO);
  • Cromínia (GO);
  • Professor Jamil (GO).

A decisão do STF e suas implicações

No dia da decisão, o STF considerou inconstitucional a lei paulista que permitia que os municípios regulamentassem ou proibissem o serviço remunerado por motocicletas. O relator da matéria, ministro Alexandre de Moraes, acolheu a argumentação da Confederação Nacional de Serviços, destacando que a legislação estadual invadia competências exclusivas da União sobre transporte e trânsito.

Dessa forma, os municípios têm liberdade para regulamentar o funcionamento dos serviços, mas não podem impor proibições que inviabilizem sua operação.

A respeito da decisão, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, expressou preocupação quanto à segurança viária na cidade, citando um alto número de mortes envolvendo motociclistas e pedindo medidas que poderiam prevenir acidentes. A prefeitura possui até o dia 8 de dezembro para regulamentar adequadamente o serviço na capital paulista.

A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), representando empresas como Uber e 99, considerou a decisão uma conquista significativa para garantir segurança jurídica ao setor em todo o Brasil. A associação reiterou que o serviço é uma atividade legal e privada regida pela Política Nacional de Mobilidade Urbana.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 12/11/2025
  • Fonte: Fever