Motoristas de ônibus aprovam greve em São Paulo; Prefeitura suspende rodízio
Após manifestações realizadas nesta quinta, sindicato voltou a se reunir e aprovou paralisação total para esta sexta. Metrô e a CPTM terão operação reforçada
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 06/09/2019
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
O Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo (Sindmotoristas) aprovou no fim da tarde desta quinta-feira, 5, uma paralisação geral do serviço de ônibus na capital ao longo desta sexta-feira, 6. A decisão foi tomada após um dia de mobilizações nesta quinta, que chegou a fechar 21 dos 30 terminais da cidade e afetou o trânsito em diversas partes da cidade. A Prefeitura decidiu suspender o rodizío de veículos na tarde desta quinta e nesta sexta; o metrô e a CPTM informaram que terão operação reforçada diante da expectativa de aumento de passageiros.
Na assembleia do sindicato, foi informado que o serviço foi retomado na integridade nesta quinta, “para levar o trabalhador para casa”, e que a paralisação terá início a partir da meia-noite. O presidente interino do sindicato, Valmir Santana da Paz, disse ter saído “entristecido” da reunião com a Secretaria Municipal dos Transportes. “Nenhuma das nossas questões foi resolvida. Não vamos deixar trabalhadores perderem seus empregos. Não vamos rodar amanhã (sexta)”, disse.
Na noite desta quinta, a Prefeitura informou que conseguiu junto ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT) decisão favorável para aumentar a circulação da frota nesta sexta. Segundo a administração municipal, em razão da característica de serviço essencial, houve a determinação para que se mantenha o funcionamento de no mínimo 70% da frota nos horários de pico (6h às 9h e 16h às 19h) e de 50% nos demais horários, sob pena de multa de R$ 100 mil por dia em caso de descumprimento.
O objetivo da manifestação iniciada nesta quinta, segundo os motoristas, é protestar contra o que chamam de “desmonte” do setor, com uma suposta redução de frota, além de cobrar o pagamento relativo à participação nos lucros e resultados (PLR) por parte das empresas. De acordo com a entidade sindical, havia transferência desse dinheiro prevista para esta quinta, o que não teria ocorrido.
O presidente licenciado do sindicato e deputado federal Valdevan Noventa (PSC-SE), disse que a decisão de paralisação é o “começo de uma batalha”. “Precisamos agir com estratégia e inteligência. Hoje (quinta), os motoristas levam os trabalhadores para casa, mas a partir da meia noite, nenhum ônibus vai rodar. A partir das 8h (desta sexta), vamos trazer os trabalhadores da categoria para um protesto na frente da prefeitura”, declarou. Ele disse que a paralisação seguirá por tempo indeterminado até que a Prefeitura decida negociar com a categoria.
De acordo com o Sindmotoristas, a categoria é contrária à redução de 1,5 mil veículos da frota – sendo que 450 desses ônibus já foram tirados de circulação. A mudança no sistema, ainda segundo a entidade, levaria à demissão de um contingente entre 6 mil e 8 mil funcionários do transporte público. Procurada, a Prefeitura ainda não se manifestou sobre as reivindicações da categoria.
REFLEXOS NESTA SEXTA-FEIRA
A São Paulo Transporte (SPTrans) informou que, às 6 horas, 19 linhas da empresa Sambaíba não estão circulando em função da greve de ônibus na manhã desta sexta-feira, 6. Os 30 terminais municipais estão funcionando e o sistema municipal de transporte público coletivo opera com 70% da frota de veículos para a faixa horária.
Técnicos da SPTrans estão nas ruas desde a madrugada, monitorando a operação do transporte público e orientando passageiros nos terminais e pontos estratégicos da cidade.