Motociclista aos 79, bisavó de São Bernardo conta como é viver intensamente
“Quando um jovem se empolga ao me ver na moto, deixo claro a importância da vida, tanto a minha quanto a dos outros”, diz Doralice
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 16/08/2023
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
A moradora do Bairro Assunção Dolarice de Moraes tem 79 anos, quatro netos e três bisnetos. Meio de transporte? Motocicleta. “Sempre tive paixão por dirigir. Quando comprei minha moto, há 35 anos, dei meu grito de liberdade”, afirma.
Muito prudente, a bisavó motociclista está sempre equipada dos pés à cabeça, faça sol ou chuva. “Quando sou parada em uma blitz, ao tirar o capacete os policiais sempre se surpreendem. A primeira coisa que fazem é perguntar a minha idade”, diz com bom humor.
Dora, como é conhecida, conta que já percorreu diversas cidades em sua moto nesses anos todos de estrada. “Quando um jovem se empolga ao me ver na moto, deixo claro a importância da vida, tanto a minha quanto a dos outros”, enfatiza. “Nunca sofri nem causei nenhum acidente.”
CONQUISTA – Neta de escravos e espanhóis, Dora nasceu em Piracicaba e veio para São Bernardo em 1974. Trabalhou como doméstica, operária de tecelagem e depois voltou a estudar e conseguiu cursar faculdade de Educação Física, passando a lecionar em escolas estaduais. Muitos de seus alunos se inspiraram nela e hoje são professores de educação física.
Apesar das dificuldades já enfrentadas, incluindo a perda da única filha, o avanço da idade não tirou sua vontade de viver intensamente. Atualmente, Dolarice frequenta o Centro de Referência do Idoso de São Bernardo do Campo, onde faz aulas de piano, informática e dança flamenca para exercitar seus músculos.
Como motorista e idosa, ela sente falta de vagas preferenciais para motociclistas nos estacionamentos. “Existe para carro, mas não podemos estacionar moto. É uma coisa para se pensar”, sugere.