5 motivos e o limite nas tarifas dos EUA sobre o Brasil
Revogação de tarifas foi avanço, mas 22% das exportações brasileiras seguem sobretaxadas, diz Alckmin
- Publicado: 17/02/2026
- Alterado: 21/11/2025
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Serginho Lacerda
As relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos registraram um progresso significativo na última semana. Na quinta-feira (20), o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou a revogação de tarifas que funcionavam como um obstáculo considerável nas negociações comerciais com o Brasil. Este movimento é considerado o maior progresso nas relações bilaterais desde que as taxas foram implementadas.
Apesar do avanço, a solução não é completa. Conforme declarado nesta sexta-feira (21) pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), 22% das exportações brasileiras de produtos continuam sujeitas a uma sobretaxa de 50%. As tratativas com o governo americano, portanto, ainda não chegaram ao fim.
Produtos livres de taxação: O alívio nas exportações brasileiras

O decreto presidencial emitido recentemente exclui diversas categorias de produtos da aplicação das tarifas, beneficiando itens cruciais para a economia nacional. Entre eles, estão carne, café e frutas, que compõem a base das exportações brasileiras.
A lista de isenções abrange mais de 200 produtos pertencentes ao setor agrícola e pecuário, e também inclui alguns fertilizantes à base de amônia. Este alívio nas tarifas foi impulsionado pela decisão de suspender uma sobretaxa de 40% que havia sido imposta no final de julho. É importante notar que, recentemente, na semana anterior ao anúncio atual, o revogação de tarifas foi avanço, mas 22% das exportações brasileiras seguem sobretaxadas, diz Alckmin já havia eliminado a tarifa de 10% sobre exportações de carne e café do Brasil. Com essa nova medida, a sobretaxa de 40% também foi suspensa.
O papel da inflação e do diálogo Lula-Trump nas decisões

A decisão do governo americano de retirar as tarifas foi influenciada por uma conjunção de fatores. Um deles é a crescente inflação nos Estados Unidos, que tem exercido pressão sobre o setor alimentício e impactado os custos para os consumidores.
Além do cenário econômico interno, o presidente Trump mencionou a diplomacia. Ele indicou que, na justificativa do decreto, reconheceu a importância do diálogo mantido com o presidente Lula. Em um comunicado oficial, Trump fez referência à videoconferência realizada com Lula e indicou ter ouvido de especialistas a avaliação de que as tarifas já não eram mais necessárias, dada a “inicial progressão nas negociações com o Brasil”.
Apesar de a nova sobretaxa de 40% ter trazido quase 700 exceções, incluindo suco de laranja e produtos aeronáuticos, atenuando o impacto sobre alguns segmentos vitais, o esforço para garantir a competitividade das exportações brasileiras continua.
O que ainda resta ser negociado e a Lei Magnitsky

O vice-presidente Alckmin, ao destacar que este é o “maior avanço até agora“, expressou otimismo, mas enfatizou que as negociações estão longe de serem concluídas, visto que muitos setores continuam enfrentando restrições. A retroatividade da isenção das tarifas será aplicada a todos os produtos que entraram nos EUA a partir de 13 de novembro.
“Este é o maior avanço até agora,” destacou Geraldo Alckmin, reforçando a importância de seguir o diálogo para desmantelar as restrições que atingem uma fatia relevante das exportações brasileiras.
Apesar da evolução nas conversas, o vice-presidente informou que não há encontros agendados entre os líderes dos dois países no momento. Ele também fez referência a solicitações feitas por Lula sobre sanções impostas pela Lei Magnitsky, que atingem o ministro do STF Alexandre de Moraes, mas não forneceu detalhes sobre possíveis avanços nesse aspecto. A busca pelo fim completo das tarifas e a solução de outras pendências diplomáticas mantêm a agenda de negociações aberta.