Motiva cria comercializadora de energia focada em custos e ESG

Nova estrutura visa reduzir despesas e apoiar a descarbonização de fornecedores, operando até 2026.

Crédito: Motiva

A Motiva, gigante da infraestrutura de mobilidade no Brasil, anunciou um passo estratégico em sua agenda de sustentabilidade: a criação de sua própria comercializadora de energia elétrica. O movimento busca reduzir custos operacionais e consolidar sua matriz energética, que já é 100% renovável.

A nova estrutura, que aguarda aprovação dos órgãos reguladores do setor, deve iniciar as atividades até o final do primeiro trimestre de 2026. O projeto também visa apoiar os fornecedores da companhia em suas jornadas de descarbonização e irá negociar créditos de carbono e certificados de energia renovável (I-RECs).

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O impacto nos custos e na gestão de energia

Atualmente, a Motiva está entre as 50 maiores consumidoras de eletricidade do Brasil, sendo a segunda maior na Região Metropolitana de São Paulo. A conta de energia representa uma das principais despesas operacionais da empresa.

Com a nova estrutura, a comercializadora irá centralizar a gestão energética de todas as concessões — rodovias, metrôs, trens, VLT e aeroportos. O objetivo é ampliar a capacidade de negociação da Motiva para comprar energia no mercado livre a preços mais competitivos, além de monitorar de forma assertiva o balanço entre oferta e demanda.

A iniciativa consolida uma estratégia implementada nos últimos dois anos. Em 2023, a Motiva assumiu a meta de ter seus ativos 100% abastecidos por fontes renováveis e alcançar 20% de economia na conta de energia até 2026. Para acelerar isso, criou uma gerência executiva de energia em agosto de 2024.

Ao longo dos últimos dois anos, temos evoluído de forma significativa em nossa estratégia de energia, conciliando sustentabilidade e redução de custos operacionais. Fruto destes movimentos, alcançamos já em 2024 a nossa meta de termos todos os nossos ativos abastecidos apenas com energia limpa, antecipando em um ano o cumprimento desta meta. A comercializadora vem consolidar os nossos esforços para que a nossa matriz elétrica continue sendo 100% baseada em fontes renováveis”, afirma o vice-presidente de Inovação, Tecnologia, Sustentabilidade e Riscos da Motiva, Pedro Sutter.

Além de antecipar a meta de energia limpa, a companhia já apurou uma redução de 17% no custo do kWh da energia contratada.

Motiva cria comercializadora de energia focada em custos e ESG
Motiva

Apoiando a descarbonização da cadeia de suprimentos

A nova comercializadora também nasce com o objetivo de estreitar o relacionamento com os fornecedores da Motiva. A empresa pretende atuar na prestação de serviços típicos de mercado, como a compra e venda de energia.

A ideia é usar a escala e a alta qualidade de crédito da Motiva para beneficiar seus parceiros, permitindo que tenham acesso a condições comerciais mais competitivas na contratação de energia renovável.

Uma das vantagens do modelo é a possibilidade de os fornecedores usarem os próprios contratos de suprimento com a Motiva como garantia nas transações, eliminando a exigência de garantias externas (como as bancárias) e reduzindo custos.

A comercializadora também irá analisar o balanço energético dos fornecedores, auxiliar na migração para o mercado livre e oferecer serviços de eficiência energética. Ao revender energia limpa aos parceiros, a Motiva acelera a descarbonização deles, o que, no longo prazo, reduzirá as suas próprias emissões de escopo 3 (indiretas).

Pelo tamanho e capilaridade das operações da Motiva, temos um grande ecossistema de fornecedores. Com a comercializadora, iremos fortalecer o relacionamento comercial com estes parceiros, dentro de uma estratégia de fidelização, ao mesmo tempo em que poderemos explorar o potencial de novas oportunidades que este relacionamento nos gera. Sem dúvida, teremos condições de contribuir com a jornada de descarbonização dos nossos fornecedores e ajudá-los a diminuir os seus gastos com energia elétrica”, afirma o gerente-executivo de Energia da Motiva, Diego Martins.

Outros pilares da estratégia energética

A comercializadora é mais um passo na estratégia de energia da Motiva. Um marco anterior foi a sociedade com a Neoenergia em três parques do Complexo Eólico Oitis, no Piauí. Essa iniciativa (autoprodução por equiparação) abastece as operações de trilhos em São Paulo (linhas 4, 5, 17, 8 e 9), respondendo por 65% da demanda energética total da companhia.

A empresa também firmou um contrato de 10 anos com a EDP para a compra de energia solar para o Sistema Anhanguera-Bandeirantes (AutoBAn) e opera 18 usinas próprias de geração distribuída.

Estas ações se conectam ao compromisso da Motiva de ser neutra em carbono nos escopos 1 e 2 até 2035. Ao atingir 100% de fontes renováveis em 2024, a companhia zerou suas emissões de escopo 2. Além disso, a empresa projeta alcançar uma relação Opex (Caixa) / Receita Líquida de 28% em 2035, contra os 40% atuais, aumentando sua eficiência operacional.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 21/10/2025
  • Fonte: Sorria!,