Mostra "TUDO PODE (perder-se)" do multiartista Tadeu Jungle termina dia 20 de julho no Centro Cultural Fiesp, em São Paulo
Uma das primeiras ações realizadas por Jungle foi o poema "Ora H", que virou pichação nas ruas de São Paulo entre 1978 e 1979
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 03/07/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
O multiartista Tadeu Jungle apresenta a mostra “TUDO PODE (perder-se)” até o dia 20 de julho de 2025 no Centro Cultural Fiesp – Espaço de Exposições, nos Jardins, em São Paulo. Curada por Daniel Rangel, é a primeira exposição retrospectiva e prospectiva do multiartista – que completa 45 anos de produção, que é um herdeiro da poesia concreta e um dos precursores da videoarte no País.
O espaço será ocupado por obras que se dividem em poética verbivocovisual, incluindo peças originais dos anos 80 e trabalhos, especialmente concebidos para a exposição. São instalações de suportes e técnicas variadas, relacionadas ao universo das artes visuais e da comunicação de massa e ainda uma série de vídeos, relacionada com sua produção de videoarte.
“O conjunto exposto, visualmente, ressoa como uma ópera-rock com distintos climas e nuances que variam ao longo da montagem-partitura. A densidade ruidosa das obras no espaço emana conceitos inerentes à sua produção de mais de quarenta e cinco anos, porém, sem almejar dar conta da totalidade dessa. Expansões ainda são necessárias, incluindo ações online, projeções na fachada de prédios, exibições de filmes e muitas conversas com o artista – criador-criatura – que está aqui, afinal, aqui, tudo pode.”, afirma o curador Daniel Rangel no texto curatorial.
“Esta mostra é onde a poesia visual se apresenta também como arte visual. A poética vai para a parede, vira escultura, ganha moldura, textura, forma e peso, com obras feitas em papel, mas também em tapeçaria, alumínio, mármore e bronze e formatos variados como um estandarte de Carnaval e um objeto em papier machê com terra vinda do Grande Sertão de Guimarães Rosa”, afirma o artista.
A imagem da exposição toma como base uma foto do artista visual Jean Cocteau (1889-1963), realizada pelo fotógrafo Philippe Halsman, em 1949, onde o caráter de multiartista é explicitado. Ao escolher sua foto para constar na exposição, Jungle optou pelo humor e fez uma escultura triédrica intitulada “Autorretrato publicitário cara de cu”, em que ironiza o comportamento do mundo publicitário, área em que atuou por anos.
A Gerente Executiva de Cultura do Sesi-SP, Débora Viana, destaca a importância para o SESI-SP promover o acesso à cultura com projetos como esse: “Reiteramos o nosso compromisso em promover no Centro Cultural Fiesp espaço para a reflexão e fruição artística, proporcionando ao público acesso a produções de qualidade, disruptivas que incentivam a reflexão e a experimentação. Tadeu Jungle é um multiartista e podemos apreciar uma mostra inédita com suas obras concentradas em nosso Espaço de Exposições. No Sesi-SP consideramos crucial a formação de novos apreciadores das artes, promovendo a difusão e o acesso à cultura de maneira gratuita. Por isso, atuamos em todas as linguagens artísticas, convidando o público a mergulhar de cabeça no universo do conhecimento e da expressão artística”.
Sobre o artista
Tadeu Jungle é um artista multidisciplinar atuando como roteirista e diretor de cinema, TV e Realidade Virtual e com um sólido trabalho como poeta visual, videoartista e fotógrafo. É palestrante do TEDxSãoPaulo.
Jungle é formado em Audiovisual pela ECA-USP, com passagem pela San Francisco State University e é herdeiro da Poesia Concreta. Vem publicando poemas visuais desde os anos 80 em várias revistas e plataformas digitais, além de participar de exposições em galerias e museus.
No final dos anos 70 e começo dos 80 foi ativo participante do movimento de arte-postal incentivado pelo professor-curador Walter Zanini. Suas primeiras publicações foram feitas através de pequenos poemas em forma de adesivos. Realizou pichações poéticas em muros paulistanos (ORA H, ÉDIFICIL) completando a sua gênese com participações em mostras organizadas por Paulo Bruscky.
Nos anos 80, criou e dirigiu várias videoartes que foram premiadas e exibidas no Brasil e no exterior. Nas décadas seguintes fez videoinstalações para o MIS, MAC-USP, Museu do Futebol e para o Museu do Amanhã.
Na trilha dos anos 90 começou a fotografar e no começo dos 2000 iniciou o que viria a ser um dos mais longevos projetos na Internet: a Foto de Segunda, onde enviava por email uma foto e um título para uma lista de participantes. O projeto durou 14 anos e já antevia o que seria o FLICKR ou mesmo o INSTAGRAM.
No meio disso tudo escreveu para vários jornais e revistas sobre televisão e comunicação. Criou programas de TV para a TV Globo, Cultura, Band e Multishow. Dirigiu o longa-metragem de ficção “Amanhã Nunca Mais”, com Lázaro Ramos, além de séries e filmes documentais.
Com a chegada do digital, fez poemas no computador, sem abandonar o gestual e a caligrafia. Publicou poemas nas revistas Artéria, Zero, entre outras e em 2014 o Instituto Oi Futuro realizou uma exposição retrospectiva e publicou uma coletânea de seus 30 anos de trabalho intitulada Videofotopoesia.
Já nesta última década, perseverando sempre na linha da vanguarda, fundou uma produtora de Realidade Virtual e vem fazendo filmes VR de impacto social, tendo sido premiado em vários festivais e até na ONU, onde foi convidado a falar.
Tem trabalhos nas coleções do Instituto Figueiredo Ferraz, MAM-SP e do MAC de São Paulo. Sua mais recente ação foi ocupar a empena do MAC com o poema “Você está aqui”, a maior instalação de poesia visual impressa do Brasil.