Morumbis 56 anos: Documentos inéditos contam a história

Documentos notariais detalham compra, venda e doação dos terrenos que viabilizaram o estádio do São Paulo há exatos 56 anos.

Crédito: Rubens Chiri / São Paulo FC

O Morumbis completa 56 anos de inauguração oficial neste domingo, 25 de janeiro, com detalhes cruciais de sua formação jurídica vindo à tona. Enquanto a capital paulista celebra mais um aniversário, o Estádio Cícero Pompeu de Toledo reafirma sua posição como um marco de desenvolvimento urbano. Um levantamento inédito do Projeto Memórias Notariais, conduzido pelo Colégio Notarial do Brasil – Seção São Paulo, trouxe a público as escrituras que explicam exatamente como o terreno foi adquirido e transformado na casa do São Paulo Futebol Clube.

Esses registros históricos, mantidos em cartórios de notas, oferecem uma visão técnica e fascinante sobre a constituição da área. O levantamento comprova que a existência do Morumbis não foi apenas um feito de engenharia, mas um complexo arranjo jurídico que envolveu a iniciativa privada e o poder público em uma época onde a região era praticamente desabitada.

Escrituras detalham a fundação do Morumbis e trâmites legais

A análise das certidões antigas permite traçar uma linha do tempo precisa sobre a propriedade da terra. A escritura pública de compra e venda, datada de 29 de dezembro de 1950, é a peça-chave desse quebra-cabeça. O documento revela que os terrenos do imóvel, então denominado “Morumby”, somavam uma área total de 2.246.220,63 metros quadrados.

A transação envolveu a venda das terras por integrantes da família Matarazzo para a Imobiliária e Construtora Aricanduva S.A. O valor da operação declarado na época impressiona pela magnitude histórica:

  • Valor da transação: Cr$ 56.155.515,70 (Cruzeiros).
  • Condição: Pagamento parcial no compromisso e quitação do saldo no ato da escritura.

Pouco tempo depois, em 4 de agosto de 1952, uma nova escritura pública de doação formalizou a transferência de parte dessas áreas da Imobiliária Aricanduva para o tricolor paulista. A operação contou com a intervenção direta da Prefeitura Municipal de São Paulo, o que demonstra que o Morumbis já era visto pelas autoridades como um equipamento essencial para expandir a mancha urbana da cidade.

Os documentos garantiram a segurança jurídica necessária para as obras. Embora a primeira inauguração parcial tenha ocorrido em 1960, a entrega oficial e definitiva do estádio só foi celebrada em 25 de janeiro de 1970, data estrategicamente alinhada ao aniversário da metrópole.

O estádio como vetor de urbanização acelerada

A construção do estádio não apenas ocupou um espaço vazio, mas criou um bairro inteiro ao seu redor. Andrey Guimarães Duarte, vice-presidente do Colégio Notarial do Brasil – Seção São Paulo, destaca que os registros comprovam o papel do estádio como motor econômico. Antes da chegada do clube, a região carecia de infraestrutura básica e ocupação consolidada.

“As escrituras mostram que o estádio foi o ponto de partida para a ocupação urbana da região. O Morumbi não surgiu como um bairro estruturado. Foi a construção do estádio que atraiu moradores, valorizou os terrenos e impulsionou a urbanização”, analisa Duarte.

O projeto arquitetônico de Vilanova Artigas transformou o concreto em arte, consolidando o local como um ícone da arquitetura brutalista brasileira. Ao longo das décadas, a presença do complexo esportivo atraiu empreendimentos residenciais de alto padrão e equipamentos institucionais, moldando a geografia da Zona Oeste.

O acesso a essas informações, agora facilitado pelo Projeto Memórias Notariais, permite que torcedores e pesquisadores compreendam a complexidade por trás da obra. A iniciativa disponibiliza documentos que narram a história da capital paulista através de atos jurídicos, acessíveis via plataforma e-Notariado. Assim, a história do Morumbis se revela muito mais profunda do que apenas suas conquistas esportivas, sendo um capítulo vital na formação de São Paulo.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 25/01/2026
  • Fonte: Fever