Brasil registra queda de 11% em mortes violentas em 2025
Especialistas apontam que a diminuição dos conflitos entre facções criminosas e a implementação de políticas públicas eficazes são fatores determinantes para a redução de mortes violentas no Brasil nos últimos anos
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 21/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
O Brasil observou uma significativa diminuição nas mortes violentas intencionais, com um total de 34.086 homicídios registrados em 2025, uma queda em relação aos 38.374 casos do ano anterior. Este representa uma redução de aproximadamente 11%, conforme os dados divulgados até o dia 20 de dezembro pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Vale ressaltar que os números apresentados não incluem os dados referentes ao mês de dezembro dos estados de São Paulo e Paraíba, que ainda não haviam sido inseridos na base do governo federal no momento da publicação. A expectativa é que, se as médias mensais desses estados forem mantidas, haja um acréscimo de cerca de 300 casos no total nacional, ainda assim indicando uma diminuição anual de cerca de 10,4%.
As mortes violentas incluem homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte. Os dados são coletados pelas secretarias estaduais de segurança e repassados ao governo federal para divulgação.
Nos últimos cinco anos, o Brasil tem apresentado uma tendência contínua de redução nos homicídios, acumulando uma queda de 25% desde 2020, ano em que a pandemia de Covid-19 teve início. O pico histórico foi registrado em 2017, com mais de 60 mil assassinatos. Após esse aumento acentuado, as taxas diminuíram em 2018 e 2019, mas voltaram a crescer em 2020 antes de retomar a trajetória descendente.
Rafael Alcadipani, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, destaca que a dinâmica das facções criminosas mudou significativamente, resultando em menos conflitos territoriais. Ele observa: “O crime organizado parece estar menos conflituoso em comparação aos anos anteriores. Além disso, as políticas públicas implementadas também têm contribuído para essa redução. A proximidade das eleições geralmente motiva ações na área da segurança pública.”
Silvia Ramos, coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), reforça essa análise ao afirmar que a diminuição dos confrontos entre facções e o controle estabelecido sobre determinados territórios são elementos que ajudam a reduzir as taxas de homicídio. “De maneira geral, a queda nas mortes intencionais é frequentemente o resultado da organização entre facções e grupos armados”, complementa.
A diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, lembra que a tendência de queda começou antes da pandemia, exceto por 2020 quando houve um aumento notável na região Nordeste. Ela aponta: “Desde 2018 temos observado uma queda consistente nos homicídios; apenas um ano apresentou alta nesse período. É crucial manter e continuar essa tendência positiva.”
A diminuição das mortes violentas foi observada em todas as regiões do país:
- Sul: -22% (de 3.935 para 3.055 mortes)
- Centro-Oeste: -18% (de 2.682 para 2.204 mortes)
- Norte: -11% (de 4.304 para 3.829 mortes)
- Nordeste: -10% (de 17.052 para 15.412 mortes)
- Sudeste: -8% (de 10.401 para 9.586 mortes)

No contexto estadual, Mato Grosso do Sul apresentou a maior redução percentual (-28%), seguido pelo Paraná e Rio Grande do Sul (-24% cada). Entretanto, Tocantins (17%), Rio Grande do Norte (14%) e Roraima (9%) relataram aumento nas taxas.
No total absoluto de assassinatos, Bahia (3.900), Rio de Janeiro (3.581) e Pernambuco (3.023) foram os estados com os números mais elevados, enquanto Acre (204), Amapá (179) e Roraima (139) registraram os menores índices.
A taxa média nacional de assassinatos por grupo de 100 mil habitantes é atualmente de 15,97, uma queda em relação à taxa anterior de 18,05 em 2024. Ceará (32,6), Pernambuco (31,6) e Alagoas (29,4) estão no topo deste ranking.
Entretanto, o cenário dos feminicídios é preocupante: em 2025 foram registrados 1.470 casos deste crime no Brasil, superando os 1.464 do ano anterior e estabelecendo um novo recorde histórico. Isso representa uma média alarmante de quatro mulheres assassinadas por dia no país.
Os dados relativos ao mês de dezembro ainda precisam ser atualizados com informações provenientes dos estados citados anteriormente.
A tipificação do feminicídio foi introduzida na legislação brasileira em 2015 e refere-se ao assassinato motivado pelo fato da vítima ser mulher. Em seu primeiro ano contabilizado foram registrados apenas 535 casos dessa natureza, evidenciando um crescimento alarmante superior a 316% na última década.
Em resposta à crescente preocupação com este tipo criminalidade, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou em 2024 uma nova legislação aumentando as penas para feminicídios, que agora variam entre 20 a 40 anos de prisão.