Morte de Ruy Ferraz Fontes foi por vingança, diz MPSP
Morte do ex-delegado Ruy Ferraz Fontes revela ligação com o PCC; MP denuncia oito envolvidos em execução brutal na Praia Grande
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 21/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
A morte do ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, em uma brutal emboscada na cidade de Praia Grande, litoral paulista, não foi um crime isolado, mas sim um ato de vingança minuciosamente arquitetado pela cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC). A confirmação veio à tona nesta sexta-feira (21), quando o Ministério Público de São Paulo (MPSP) ofereceu denúncia contra oito suspeitos diretamente envolvidos na execução.
A acusação formaliza a suspeita inicial da Polícia Civil, atestando que a facção determinou a eliminação de Ruy Ferraz Fontes devido à sua atuação incisiva no enfrentamento ao grupo criminoso. Ao longo de mais de quatro décadas de uma carreira dedicada à segurança pública, o ex-delegado-geral se notabilizou por ser um dos principais combatentes do crime organizado no estado.
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Como o PCC queria se vingar de Ruy Ferraz Fontes?
As investigações conduzidas pelo MPSP e pela Polícia Civil revelam que o planejamento para matar Ruy Ferraz Fontes começou muito antes do dia do crime, iniciando-se em março de 2025. Esse período de cerca de seis meses foi crucial para a complexa logística que visava garantir o sucesso da empreitada criminosa.
O plano envolvia diversas etapas, demonstrando o alto nível de organização e recursos da facção:
- Logística de Apoio: Definição e uso de imóveis que serviram como bases de apoio estratégicas na Baixada Santista para os executores.
- Armamento e Transporte: Roubo de veículos que seriam utilizados no dia do crime e a aquisição de armamento de guerra.
- Ataque: A emboscada ocorreu no dia 15 de setembro de 2025, no momento em que o ex-delegado saía da Prefeitura de Praia Grande. Os criminosos dispararam dezenas de tiros de fuzil, em uma demonstração de força e intimidação.
A execução foi precedida por uma perseguição em alta velocidade. O carro do delegado, em tentativa de fuga, capotou antes de os criminosos efetuarem mais de 20 disparos letais. Após o ataque, a tentativa de apagamento de vestígios foi imediata: um dos carros roubados utilizados na fuga foi incendiado, uma tática clássica em crimes de alta complexidade.
Os números do caso de Ruy Ferraz Fontes: Denunciados e Soltos
A denúncia apresentada pelo MPSP abrange crimes graves, refletindo a natureza do ataque e seu impacto. Oito indivíduos foram denunciados pelos seguintes delitos:
- Homicídio qualificado (pela execução de Ruy Ferraz Fontes).
- Duas tentativas de homicídio (contra outras pessoas que foram atingidas pelos disparos).
- Porte ilegal de arma de fogo de uso restrito.
- Favorecimento pessoal.
- Participação em organização criminosa armada.
Embora a Polícia Civil de São Paulo tenha indiciado um total de 12 envolvidos no assassinato, a Justiça determinou a soltura de cinco deles até o momento. A disparidade entre o número de indiciados pela polícia e o de denunciados pelo MPSP indica as diferentes fases da persecução penal, mas reforça a gravidade do caso e a busca por justiça para Ruy Ferraz Fontes. O inquérito busca desmantelar toda a cadeia de comando responsável por ordenar a morte de um dos maiores combatentes do PCC.