Morte de Pelé atrai torcedores, turistas, crianças e estrangeiros em Santos
Os fãs se aglomeraram para tirar foto perto do busto e da estátua de Pelé, localizados no Memorial das Conquistas, e deixar arranjo de flores no chão
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 30/12/2022
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Pouco mais de 24 horas depois de confirmada a morte de Pelé, aos 82 anos, a movimentação na Vila Belmiro, palco de 210 dos 1116 jogos do Rei do Futebol pelo Santos, permaneceu intensa A chuva não afastou centenas de pessoas do entorno do estádio. Havia fãs e torcedores, famílias com crianças – até mesmo de colo – curiosos, turistas e até testemunhas de Jeová pregando sua doutrina em frente a um dos portões da Vila.
Os fãs se aglomeraram para tirar foto perto do busto e da estátua de Pelé, localizados no Memorial das Conquistas, e deixar arranjo de flores no chão. No portão ao lado, a loja do Santos estava cheia. A procura, claro, era por alguma camisa com menção ao maior de todos os tempos. A venda dessas camisas comemorativas de Pelé aumentou desde a morte do Rei, vítima de um câncer de cólon contra o qual lutava há mais de um ano. O gerente, porém, não quis dizer à reportagem quantas foram vendidas.
Alguns santistas tomavam cerveja no Bar do Alemão, conhecido reduto de santistas em frente à Vila. Outros aguardavam para falar com Didi, histórico barbeiro de Pelé durante mais de 60 anos, que atendeu aos clientes mesmo em luto pela morte do amigo. Na quinta-feira, ele havia fechado o local. Estava triste demais para trabalhar. “Perdi um grande amigo e cliente”, resume o barbeiro, sentindo um certo desconforto com as perguntas em espanhol de jornalistas estrangeiros. Havia japoneses, argentinos e até uma repórter da Al Jazeera, emissora de televisão ligada ao governo do Catar.
A torcida Jovem, principal organizada do Santos, não esteve no entorno da Vila nesta sexta-feira. Membros da uniformizada renderam homenagens ao Rei apenas na quinta, horas após sua morte.
Neto do ex-ponta esquerda Tite, o décimo maior artilheiro da história do Santos, Daniel Augusto, 41 anos, passou a tarde nos arredores da Vila acompanhado da irmã e das sobrinhas. Comprou mais uma camisa do Santos com o 10 nas costas. Foi uma forma de ter mais uma lembrança do ídolo.
“Eu cresci ouvindo histórias dele. Tive contato pessoalmente com Pelé, não de amizade, mas tive. Encontrei ele em festas no Santos”, relata. O avô, Tite, jogou seis anos com Pelé no Santos. Cantor em bares e eventos na Baixada Santista, ele ensinou o Rei do Futebol a tocar violão e ajudou a despertar o gosto de Pelé pela música. “Meu avô tinha muitas histórias com o Pelé. Foi como perder um parente”, descreve Augusto.
Mesmo que a saúde de Pelé já estivesse debilitada há anos e o câncer, progredido, existe ainda entre os fãs um sentimento de incredulidade pela morte do ídolo. “A gente sentia já essa perda, percebia que era um cenário irreversível, mas quando vi a notícia da morte foi difícil acreditar”, diz o aposentado José Maria, 51 anos.