Morre José Maria Marin, ex-presidente da CBF, figura marcada pela ditadura e pelo futebol
Ex-jogador, político e dirigente esportivo, Marin teve trajetória polêmica entre o poder público e o comando do futebol nacional
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 20/07/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
José Maria Marin, morreu neste domingo (20), teve uma trajetória que mesclou esporte e política de forma intensa e controversa. Iniciou sua carreira como jogador de futebol pelo São Paulo Futebol Clube, onde atuou entre 1950 e 1952 como ponta-direita. Mesmo sem grande destaque nos gramados, participou de 20 partidas pelo clube e marcou cinco gols, segundo o “Almanaque do São Paulo”.
Com orientação do técnico Vicente Feola, campeão mundial com a seleção em 1958, Marin decidiu estudar paralelamente à carreira esportiva. Formou-se em Direito em 1955 pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, o que pavimentou sua entrada na política. Seu reduto era o bairro de Santo Amaro, em São Paulo, e com o apoio de amigos e da imprensa local, foi eleito vereador em 1963.
Ascensão durante a ditadura e vínculos com repressão
A carreira política de Marin ganhou fôlego durante o regime militar. Foi presidente da Câmara Municipal de São Paulo em 1969 e tornou-se deputado estadual pela Arena nos anos 1970, ganhando notoriedade com discursos contra a esquerda. Um episódio marcante de sua atuação política foi a crítica à TV Cultura em 1975, dias antes da morte do jornalista Vladimir Herzog, assassinado pelo DOI-Codi.
Marin também teve ligações com setores do regime responsáveis por vigilância e repressão. Em 1982, já em um momento avançado da ditadura, assumiu a presidência da Federação Paulista de Futebol, função que ocupou até 1988. Foi chefe da delegação brasileira na Copa do Mundo de 1986, no México.
Cúpula da CBF e fracasso no Mundial de 2014
Marin retornou ao centro do futebol nacional em 2012, quando assumiu a presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), após a renúncia de Ricardo Teixeira, investigado pela Fifa. Marin acumulou também o cargo de presidente do Comitê Organizador da Copa de 2014. Já próximo dos 80 anos, voltou à cena pública com apoio de nomes como Marco Polo Del Nero.
Durante sua gestão, apostou em Luiz Felipe Scolari e Carlos Alberto Parreira para comandar a seleção. A dupla, associada às conquistas do tetra e do penta, foi escolhida apesar das críticas à falta de inovação no comando técnico. Em vez de novas propostas, Marin priorizou um discurso nacionalista, ignorando a preferência popular por nomes estrangeiros, como Josep Guardiola.
O título da Copa das Confederações em 2013 trouxe alívio temporário, mas o vexame histórico da seleção na Copa de 2014 — com a derrota por 7 a 1 para a Alemanha — expôs os problemas estruturais da CBF. Mesmo assim, a sede da entidade no Rio foi batizada com seu nome.
Derrocada política e legado polêmico
Com o fim da ditadura, Marin viu sua influência política diminuir. Tentou, sem sucesso, cargos como prefeito de São Paulo e senador, mantendo apenas alguma relevância ao coordenar a campanha de Jânio Quadros à prefeitura paulistana em 1985. Ao longo da vida, filiou-se a diversos partidos de direita e soube se posicionar estrategicamente próximo ao poder, tanto na política quanto no esporte.
Entre os momentos mais lembrados de sua carreira está o episódio de 2012, quando foi flagrado pegando uma medalha do jogador Mateus, do Corinthians, durante a premiação da Copa São Paulo de Juniores. A cena ganhou grande repercussão e virou símbolo de sua figura controversa.
Marin deixa um legado marcado por oportunismo, ligação com a repressão, influência política durante o regime militar e protagonismo no futebol nacional, sobretudo por sua atuação à frente da CBF em um dos períodos mais críticos da história recente da seleção brasileira.