Morre Clark Olofsson, o assaltante que deu origem ao termo “Síndrome de Estocolmo”
Criminoso sueco estava internado e faleceu aos 78 anos; participação em sequestro marcou a história da psicologia e da criminologia
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 26/06/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Faleceu nesta quinta-feira (26), aos 78 anos, o sueco Clark Olofsson, personagem central de um crimes emblemáticos da história moderna. Olofsson, que estava internado na Suécia tratando uma doença não divulgada, ganhou notoriedade mundial ao se envolver no assalto que originou o termo “Síndrome de Estocolmo”, segundo informações do portal Dagens ETC.
Com um histórico criminal extenso, Olofsson passou grande parte da vida atrás das grades, sendo condenado por delitos como tentativa de homicídio, tráfico de drogas e agressões.
Apesar disso, buscou reconstruir sua vida durante um dos períodos em que esteve preso, formando-se em jornalismo pela Universidade de Estocolmo em 1983. Sua última liberação ocorreu em 2018, após cumprir pena por tráfico de entorpecentes.
O sequestro que gerou um termo psicológico mundialmente conhecido
A fama internacional de Clark Olofsson teve origem em agosto de 1973, durante um assalto ao banco Sveriges Kreditbanken, localizado no centro de Estocolmo. O ataque foi iniciado por Jan Olsson, que invadiu o local armado com uma metralhadora e exigiu, entre outros pedidos, a libertação de Olofsson da prisão.
Surpreendentemente, a polícia atendeu ao pedido e levou Olofsson até o banco, onde ele passou a atuar como intermediador da situação. Durante seis dias, quatro funcionários foram mantidos reféns no cofre da agência, tempo suficiente para que um forte laço emocional surgisse entre sequestradores e vítimas.
A resolução do sequestro só ocorreu após a polícia perfurar o teto do cofre e utilizar gás lacrimogêneo. Apesar da tensão, todos os reféns saíram ilesos, e os dois criminosos foram presos. Jan Olsson recebeu uma sentença de dez anos, enquanto Olofsson foi condenado a seis, por cumplicidade.
Quando o agressor vira protetor: o surgimento da Síndrome de Estocolmo
O vínculo inesperado entre reféns e criminosos levou psicólogos e autoridades a estudarem o fenômeno, que passou a ser conhecido como “Síndrome de Estocolmo”. A expressão descreve situações em que vítimas desenvolvem simpatia, confiança ou até afeição por seus agressores, algo comum em casos de sequestros, abusos e cárceres privados.
Uma das principais vozes que ajudaram a consolidar o conceito foi Kristin Enmark, uma das reféns, que na época tinha 23 anos. Em declarações públicas e no livro I Became the Stockholm Syndrome, ela afirmou ter visto Clark Olofsson como um salvador. Em uma conversa telefônica com o então primeiro-ministro sueco, Olof Palme, chegou a declarar que temia mais a ação da polícia do que a dos sequestradores.
Mais tarde, Enmark criticou a condução da operação policial, reforçando a complexidade emocional vivida dentro do cofre do banco. “Não tive medo dos assaltantes, tive medo de quem deveria me salvar”, disse ela em uma das entrevistas.
Um legado controverso
Clark Olofsson deixa um legado ambíguo: de um lado, a ficha criminal recheada de delitos graves; de outro, um nome eternamente ligado a um dos fenômenos psicológicos mais debatidos da história recente. Sua trajetória serve como alerta sobre os limites entre vítimas e agressores, e como o comportamento humano pode surpreender até nas situações mais extremas.