Morre Bel da Bonita, ícone cultural e musical de Feira de Santana
Artista de 52 anos foi vítima de infarto; destacou-se na percussão, nas artes visuais e no audiovisual baiano por mais de três décadas
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 18/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
O mundo da música e da cultura na Bahia está de luto após a notícia do falecimento de Berlindo Souza Silva, popularmente conhecido como Bel da Bonita. O artista, que contava com 52 anos e era natural de Gavião, no interior do estado, faleceu nesta sexta-feira (18), em Feira de Santana, a segunda maior cidade baiana. Sua morte ocorreu em decorrência de um infarto, que o levou a ser internado na última quarta-feira (16).
Referência cultural baiana
Bel da Bonita era um autodidata que iniciou sua trajetória musical ainda na juventude. Ao longo de mais de 35 anos, ele se destacou não apenas como percussionista, mas também nas áreas das artes visuais e do audiovisual. Conhecido por sua versatilidade, o músico deixou uma marca indelével na cena cultural de Feira de Santana.
Segundo relatos de amigos próximos, após sofrer um infarto, Bel foi atendido em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) antes de ser transferido para o Hospital Dom Pedro, onde passou por intervenções médicas. Apesar de ter apresentado melhoras temporárias em seu estado clínico, ele não resistiu às complicações que surgiram durante a madrugada.
O velório do artista ocorrerá na tarde desta sexta-feira no Cerimonial Imperial, localizado na rua Barão do Rio Branco, em Feira de Santana. O sepultamento está programado para acontecer em sua cidade natal, Gavião.
Legado musical e artístico
Bel da Bonita não era apenas um músico; ele era um verdadeiro pilar da cultura feirense. Além de sua atuação como percussionista e compositor, ele se destacou como produtor cultural, curador e diretor de videoclipes. Seu compromisso em fomentar a identidade artística da região fez dele uma figura central entre os artistas locais.
A cantora Márcia Porto, amiga íntima do músico, expressou sua tristeza pela perda: “Era muito mais do que um percussionista; era compositor, cantor e pesquisador da música raiz e do samba rural. Ele produziu trilhas sonoras, curou documentários e estabeleceu conexões com muitos artistas. Feira de Santana está em luto”, lamentou.
A trajetória musical de Bel inclui passagens marcantes nos anos 1990 como membro da “Banda da Paz”, onde acompanhou renomados artistas brasileiros como Gilberto Gil e Elba Ramalho em turnês pelo Brasil. Em 2006, ele fundou o grupo Africania, que inovou ao mesclar ritmos afro-brasileiros com influências diversas como o afro-jazz e a música caribenha. A banda lançou sete álbuns e criou trilhas sonoras para filmes ao longo dos anos.
Durante a pandemia, Bel também explorou seu talento nas artes visuais com a exposição online “Memórias em Lápis de Cor: Casinhas do Sertão”, uma coleção inspirada nas recordações do sertão baiano.
A morte de Bel gerou uma onda de homenagens nas redes sociais e nos espaços culturais locais, refletindo o impacto profundo que ele teve sobre seus amigos, colegas e admiradores. O grupo Africania divulgou uma nota lamentando sua partida: “Sua presença marcante e sua arte vibrante ficarão eternamente gravadas em nossas memórias.”