Morre André Geraissati, ícone do violão brasileiro, aos 74 anos
Reconhecido por sua carreira desde os anos 60, André Geraissati deixa legado musical significativo
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 20/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Teatro Liberdade
André Geraissati, um dos mais destacados nomes do violão no cenário musical brasileiro, faleceu na última quarta-feira, dia 19 de novembro, em São Paulo, aos 74 anos. A confirmação foi feita por seu filho através das redes sociais, embora a causa do falecimento ainda não tenha sido divulgada.
Em uma postagem emotiva, o filho expressou sua dor: “Com imensa tristeza comunico aos amigos e fãs o falecimento de meu pai, André Geraissati. Meu pai foi um violonista único, um artista que tocou muitas vidas — e um pai de coração generoso e amor imenso. Agradeço pelo carinho de todos neste momento tão difícil”.
Adeus a André Geraissati:
André Geraissati começou sua carreira musical nos anos 1960, mas ganhou destaque tanto nacional quanto internacional no final da década de 1970 ao integrar o Grupo D’Alma. Entre 1979 e 1985, o trio de violões encantou o público com suas composições originais que refletiam a forte identidade brasileira, além de participar de importantes festivais de jazz pelo mundo. Essa fase foi fundamental para consolidar Geraissati como um dos grandes talentos do violão brasileiro.
No período entre 1982 e 1985, o artista teve a oportunidade de dividir palcos com Egberto Gismonti durante as turnês “Fantasia” e “Cidade Coração”. Foi também nesse intervalo que lançou seu primeiro álbum solo intitulado “Entre Duas Palavras” (1982), que contou com a participação de Gismonti.
A partir de 1985, André direcionou seus esforços exclusivamente para sua carreira solo e lançou diversos álbuns significativos como “Insight”, que se destacou por ser o primeiro disco gravado no Brasil em sistema Super Áudio; o álbum duplo “Solo” (1987); “DADGAD” (1988); e “7989” (1989). Suas produções foram amplamente distribuídas no Brasil e no exterior pela Warner Records e posteriormente reeditadas pela Tom Brasil Produções.
O violonista também fez história ao participar da Hot Night do Festival de Jazz de Montreux em 1988 e gravar em 1990 o álbum “Brazilian Image” junto ao flautista Paul Horn, projeto que concorreria ao Grammy e fez com que críticos o reconhecessem como um dos principais músicos da década.
De 1993 a 1998, Geraissati idealizou e dirigiu o projeto Brasil Musical, considerado uma das maiores documentações da música instrumental brasileira na história recente do país.
Nos anos 2000, ele continuou a deixar sua marca com os álbuns “Next” (2000) e “Canto das Águas” (2002), sendo este último o primeiro Super Audio CD produzido na América Latina. Além disso, colaborou em DVDs com artistas renomados como Zimbo Trio, Egberto Gismonti e Hermeto Paschoal (2007) e lançou “Violão Solo” (2008).
Entre 2009 e 2010, André Geraissati embarcou em uma turnê pela Europa, Oriente Médio e Egito com a Euro-Arab Tour, passando por 18 países. Em 2017, ele realizou uma apresentação especial em São Paulo reunindo os violonistas Ulisses Rocha e Nelson Faria para revisitar os álbuns do Grupo D’Alma. Até pouco antes de seu falecimento, atuava como diretor musical do festival Jazz Meeting, que celebrou sua décima edição em 2022 após percorrer 12 cidades brasileiras.