Morango do amor vira febre e impulsiona mercado

Sobremesa viral nas redes sociais transforma rotina de confeiteiras, aquece mercado mesmo fora de época e provoca aumento no preço da fruta

Crédito: Divulgação

Morango do amor

Uma sobremesa com cara de festa junina, mas que conquistou as redes sociais no inverno. Inspirado na maçã do amor, o “morango do amor” virou sensação entre confeiteiras de diferentes partes do Brasil e elevou o faturamento de docerias em até R$ 70 mil por semana. O doce, feito com morango, brigadeiro branco e calda de açúcar, ganhou fama no TikTok e no Instagram, e rapidamente passou a ser oferecido por microempreendedoras, confeitarias tradicionais e até redes nacionais como a Sodiê Doces.

Na zona oeste de São Paulo, Neliane Santiago, da Neli Doces, relata que viu sua produção saltar de 20 para 150 unidades diárias em poucas semanas, com cada morango vendido a R$ 13. “É uma loucura, parece Páscoa”, diz ela. O sucesso do doce transformou até a dinâmica familiar: o marido deixou o emprego como motorista particular para se dedicar à confeitaria ao lado da esposa.

Já em São Bernardo do Campo, Regiane Caruto, que atua na confeitaria desde 2018, também aderiu à tendência e vendeu mais de mil unidades em apenas cinco dias, gerando um faturamento de R$ 20 mil. Com preços que variam entre R$ 16,99 e R$ 20, a confeiteira planeja expandir com novas versões, como o “bombom de uva do amor”.

A disputa pelo título de criadora e os impactos do sucesso

Com a popularização acelerada do produto, surgiram diferentes versões sobre sua origem. A chef Bruna Silva, da Brigaderia Chic, no Paraná, afirma ter criado a receita em 2019 e incluído o item no cardápio fixo em 2020. Só nos últimos dias, ela afirma ter faturado R$ 70 mil com o morango do amor e precisou suspender entregas devido à alta demanda — só no dia 24 de julho, vendeu 870 unidades.

Já Tânia Cristina Passos, da Brigsmores Brigaderia, em Santos, ganhou notoriedade depois de ser apontada pelo ChatGPT como possível criadora da sobremesa. Com o aumento da procura, ela abandonou o trabalho em uma multinacional para se dedicar integralmente à produção de doces. “Eu não gosto de dizer que fui eu que inventei, porque o universo da confeitaria é muito grande”, comenta.

Com a explosão da demanda, os efeitos colaterais também começaram a surgir. A procura pela fruta elevou os preços. Segundo a Ceagesp, a caixa com quatro bandejas de morango, que normalmente custaria R$ 20, chegou a R$ 50. De acordo com o IPCA, o morango já acumula alta de 39,89% no ano. A Sodiê Doces alertou para a possibilidade de falta da fruta em unidades da rede por causa da alta procura.

Tendência passageira ou oportunidade de inovação?

Especialistas avaliam que, embora o momento seja promissor, é preciso cautela. Carlos Honorato, professor da FIA Business School, alerta que a tendência pode ser passageira, como aconteceu com outras modas gastronômicas, a exemplo das paletas mexicanas. “É uma febre. Uma hora acaba, as pessoas enjoam”, avalia.

Confeiteiras, no entanto, já estão se antecipando ao possível declínio. Alternativas como “uva do amor”, “limão do amor” e “maracujá do amor” já começam a aparecer. Bruna Silva, por exemplo, já está vendendo a versão com maracujá. E Regiane Caruto prepara novos lançamentos para manter o público engajado.

Enquanto isso, o setor segue aquecido. Dados do Sebrae indicam que o ramo de confeitaria e padaria registrou crescimento de 17% em abertura de pequenos negócios em 2024, com mais de 40 mil novos empreendimentos.

O morango do amor pode até ser uma moda passageira, mas por ora, tem sido o ingrediente principal de uma nova fase de prosperidade para muitas confeiteiras brasileiras.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 27/07/2025
  • Fonte: Sorria!,