Moraes determina que AGU acompanhe extradição de Zambelli

Zambelli encontra-se detida em Roma desde terça-feira, 29 de julho, após ter se tornado foragida da Justiça brasileira.

Crédito: Lula Marques/Agência Brasil /

O ministro Alexandre de Moraes, membro do Supremo Tribunal Federal (STF), anunciou nesta quinta-feira, 31, a decisão de que a Advocacia-Geral da União (AGU) deverá monitorar o processo de extradição da deputada federal Carla Zambelli, do PL de São Paulo.

Extradição de Carla Zambelli

Essa determinação ocorreu após a Polícia Federal informar oficialmente ao STF, no dia anterior, sobre a prisão da parlamentar. No despacho, Moraes afirmou: “Considerando a comunicação da prisão da ré condenada Carla Zambelli Salgado de Oliveira na República Italiana, oficie-se à Advocacia-Geral da União para que acompanhe e adote as providências cabíveis e necessárias relacionadas ao processo de extradição da ré”.

Zambelli Presa na Itália

Zambelli encontra-se detida em Roma desde terça-feira, 29 de julho, após ter se tornado foragida da Justiça brasileira. Ela deverá passar por uma audiência de custódia nesta sexta-feira, 1º de setembro. Durante essa audiência, será decidido se sua prisão será confirmada ou se poderá aguardar o desenrolar do processo de extradição em regime de prisão domiciliar ou até mesmo em liberdade.

A comunicação formal sobre a prisão da deputada licenciada foi realizada pela Interpol em Roma e recebida apenas na quarta-feira. Seu nome foi incluído na lista da Interpol. De acordo com o delegado Frederico Skora Lieberenz, coordenador-geral substituto de Cooperação Policial Internacional, um ofício foi enviado a Moraes informando que o Ministério da Justiça italiano já havia sido notificado sobre a detenção e está aguardando o envio do pedido formal de extradição, acompanhado pela documentação pertinente.

Atualmente, Zambelli aguarda a audiência de custódia no complexo penitenciário conhecido como Rebibbia, localizado no bairro que leva o mesmo nome na área nordeste de Roma. Este presídio é um dos três destinados exclusivamente às mulheres na Itália e figura entre os maiores da Europa.

Dados recentes do Departamento de Administração Penitenciária revelam que, até o final de junho, 369 mulheres estavam encarceradas em Rebibbia, número que supera em quase cem vagas a capacidade total do local. Nos últimos anos, a Itália tem enfrentado uma crise no sistema carcerário, apresentando uma das mais altas taxas de superlotação na União Europeia.

Penitenciária de Rebibbia – Prisão de mafiosos e terroristas

Atualmente, Zambelli se encontra na ala feminina da Penitenciária de Rebibbia, situada em Roma, que é a maior do país e abriga tanto homens quanto mulheres, incluindo indivíduos considerados de alta periculosidade, como mafiosos e terroristas.

O complexo prisional, inaugurado em 1946, conta com quatro alas, das quais apenas uma é destinada às mulheres. Denominada Casa Penitenciária “Germana Stefanini”, esta seção possui capacidade para 275 detentas, mas atualmente abriga 369 mulheres, conforme dados do Ministério da Justiça italiano.

A ala feminina de Rebibbia foi construída na década de 1950 e recebeu ampliações até 1992, quando a quarta ala foi oficialmente entregue pelo governo italiano. Entre os notórios prisioneiros que passaram por este complexo está Giovanni Brusca, membro da Cosa Nostra, que ficou conhecido por assassinar o juiz antimáfia Giovanni Falcone em 1992. Brusca cumpriu mais de duas décadas de pena em Rebibbia antes de ser liberado.

Além dele, outro criminoso notório transferido para o local foi Pasquale Scotti, um dos líderes da Nuova Camorra Organizzata. Condenado por mais de vinte homicídios na Itália, Scotti foi preso no Brasil em 2015 e extraditado para seu país natal. Durante sua estadia no Brasil, ele se apresentava como empresário utilizando documentos falsos.

A prisão de Zambelli foi facilitada pela colaboração do deputado italiano Angelo Bonelli, que localizou a deputada e forneceu o endereço às autoridades locais para que sua captura fosse realizada. O delegado Andrei Rodrigues, chefe da Polícia Federal do Brasil, destacou que a prisão foi resultado da estreita cooperação entre Brasil e Itália.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 31/07/2025
  • Fonte: Sorria!,