Moradores pedem mais estações da futura Linha 20-Rosa na Faria Lima
No projeto revisado, a linha contará com apenas duas paradas ao longo da Faria Lima: Tabapuã e Jesuíno Cardoso
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 10/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Um consórcio de 17 associações e entidades de bairros em São Paulo está mobilizando esforços para persuadir o Metrô a reconsiderar o traçado original da futura linha 20-rosa, que prevê a construção de cinco estações na avenida Faria Lima. Atualmente, a linha tem uma estação nomeada em homenagem à via, localizada no Largo da Batata, em Pinheiros.
No projeto revisado, a linha contará com apenas duas paradas ao longo da Faria Lima: Tabapuã e Jesuíno Cardoso. As entidades alegam que a proposta inicial previa um trajeto que acompanhava a Faria Lima, semelhante ao que já ocorre com a linha 2-verde na avenida Paulista. Entretanto, essa informação não é confirmada pelo Metrô, que optou por um traçado mais centralizado nos bairros.
As críticas das associações se concentram na remoção de estações nas proximidades da Faria Lima, especificamente nas ruas Pedroso de Morais e na avenida Rebouças, além da adição de uma nova parada na rua Teodoro Sampaio. A companhia metropolitana justifica que uma conexão com a estação Faria Lima é inviável devido a restrições geológicas e limitações técnicas do projeto.
Conforme informações fornecidas pelo Metrô, novas análises técnicas sugeriram uma localização alternativa para a futura estação Teodoro Sampaio, posicionando-a entre as ruas Dr. Virgilio de Carvalho Pinto e Cardeal Arcoverde, avançando para o interior do bairro de Pinheiros. Essa mudança possibilitará uma conexão direta com a futura linha 22-marrom.
A proposta atual visa facilitar o acesso à linha 4-amarela na estação Fradique Coutinho, que se encontra nas proximidades dos Jardins. Fernando Sampaio, presidente da associação Ame Jardins, enfatiza: “A luta é para prevalecer o bom senso. Desviar a linha rosa de um dos principais eixos de movimentação da cidade é um erro grave”.
A linha 20-rosa terá uma extensão de 33 km e atualmente está em fase de desenvolvimento do projeto básico. Quando finalizada, ela deverá interligar os municípios de Santo André e São Bernardo do Campo à zona oeste de São Paulo, atravessando áreas como Lapa, Pinheiros, Vila Olímpia, Itaim Bibi e Moema. O governo estadual estima que mais de 1,3 milhão de passageiros utilizarão a linha diariamente, com início das obras previsto para 2027.
A Ame Jardins alerta que a nova proposta pode desconectar a linha de áreas com alto fluxo populacional e comprometer seu potencial para atrair usuários. Em resposta às suas preocupações, as associações solicitaram um estudo técnico sobre a viabilidade da manutenção das cinco estações na Faria Lima. O estudo abrangeu aspectos operacionais, econômicos, socioambientais e urbanísticos.
O consultor em mobilidade urbana Sérgio Avelleda, ex-presidente do Metrô entre 2011 e 2012 e responsável pelo trabalho encomendado pelas associações, defende que a estação Faria Lima poderia ser construída sem complicações significativas. “Mostramos que esse traçado vai captar mais demanda”, afirma Avelleda, ressaltando que o Metrô teve acesso ao estudo.
Além disso, o estudo conclui que a estação Fradique Coutinho não oferece condições adequadas para integração com a nova linha 20-rosa como planejado inicialmente e sugere que essa integração seja realizada na estação Faria Lima.
Embora o Metrô não tenha mencionado o estudo em sua comunicação oficial, informa que atualmente está revisando tecnicamente o anteprojeto e considerando ajustes como reposicionamento das estações com base em critérios técnicos de engenharia e geotecnia. Essas análises podem resultar na revisão das áreas inicialmente designadas para desapropriação.
POLÊMICA NA VILA MADALENA
Em outro ponto da cidade, moradores da Vila Madalena estão se organizando contra a construção da estação Girassol prevista para a rua Purpurina. Eles levantam preocupações sobre os impactos urbanísticos que essa parada poderia trazer ao bairro localizado na zona oeste.
A empresária Beatriz Torres, residente na Vila Madalena e uma das líderes do movimento contrário à construção da estação, afirma: “Não somos contra o metrô; sou usuária dele. Mas [a estação] vai trazer uma especulação imobiliária enorme ao bairro”. Ela menciona o Plano Diretor aprovado no ano anterior que permite construções altas em um raio de 700 metros ao redor das estações de metrô e trem. “Hoje, o bairro tem uma mistura de casas e prédios. Com essa estação, a vila perderá essas características”, acrescenta.
A proposta suscita opiniões divergentes nas redes sociais entre moradores e comerciantes que apoiam a instalação da nova estação no bairro, onde já existe uma parada da linha 2-verde localizada cerca de 2 km distante da rua Purpurina.
Em nota oficial, o Metrô esclarece que a futura estação Girassol foi definida durante as fases iniciais do anteprojeto de engenharia — etapa anterior ao projeto básico — já contando com licenças aprovadas. A companhia fundamenta sua decisão em extensos estudos técnicos demonstrando a necessidade de atender uma área densa em população e emprego onde o transporte por ônibus se revela cada vez mais insuficiente diante do aumento dos congestionamentos.