Moradores do Moinho vivem dilema entre aceitar proposta habitacional e medo do despejo

Insegurança domina comunidade diante de plano estadual de reassentamento

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Moradores da favela do Moinho, situada na região central de São Paulo, expressam incertezas e receios em relação ao plano de reassentamento habitacional proposto pelo governo estadual. A iniciativa, liderada pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), oferece uma carta de crédito de até R$ 250 mil para que aproximadamente 800 famílias deixem a ocupação.

Embora o governo afirme que 86% das famílias já aderiram à proposta, parte dos moradores relata que entregou os documentos temendo o despejo. Muitos contam que a adesão se deu por pressão e insegurança quanto ao futuro, sem a real convicção de que essa seja a melhor alternativa.

Críticas ao modelo de financiamento e preocupação com custos extras

Diversos entrevistados afirmaram que o valor do financiamento e os encargos mensais como condomínio, água e luz geram apreensão. O pedreiro Francisco Marcos, que vive com a esposa e quatro filhos, questiona a viabilidade do programa. “E se a gente não conseguir pagar? Vamos acabar sendo despejados de novo?”, questiona.

A CDHU informa que os pagamentos mensais representam 20% da renda familiar, sendo que, para a maioria com renda de até 1,2 salário mínimo, o Estado cobre a maior parte dos custos. Ainda assim, famílias como a de Leidivania Domingues, cuja renda depende apenas do salário mínimo recebido pelo marido, temem enfrentar dificuldades financeiras fora da comunidade.

Pressão, protestos e ações policiais elevam tensão na comunidade

Em meio ao processo de mudança, o clima de tensão se intensifica. Alguns moradores relataram presença ostensiva da Polícia Militar, acompanhada de cães, nas residências da favela. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, a operação foi motivada por denúncias criminais, mas o governo promete apurar eventuais abusos.

Mesmo com a promessa de uma transição gradual e organizada, marcada por mudanças em pequenos grupos e apoio financeiro, como auxílio mudança de R$ 2.400 e auxílio aluguel de R$ 800, parte dos moradores continua resistente. Um protesto contra a remoção foi realizado recentemente, revelando a mobilização de parte da comunidade.

Enquanto alguns, como o ambulante Isnar Machado, enxergam na proposta uma chance de conquistar a casa própria, outros ainda se sentem inseguros diante da possibilidade de abandonar um território que chamam de lar há anos.

  • Publicado: 11/02/2026
  • Alterado: 11/02/2026
  • Autor: 17/04/2025
  • Fonte: Itaú Cultural