Moradores da favela do Moinho protestam contra ação policial e remoção de famílias

Protesto na Favela do Moinho: moradores resistem à reintegração de posse e enfrentam tensão policial em São Paulo.

Crédito: PMSP/Divulgação

Na última sexta-feira (18), residentes da Favela do Moinho, situada no centro de São Paulo, realizaram um protesto significativo contra a presença policial na comunidade. Os manifestantes ergueram uma barricada e incendiaram os trilhos da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), que atravessam a área, em um ato de resistência.

A ação da Polícia Militar (PM) intensificou as tensões na comunidade. Segundo relatos dos moradores, viaturas policiais foram avistadas estacionadas nas entradas da favela desde o dia anterior, cercando a área com cones e gerando um clima de apreensão. Os moradores afirmam que os policiais têm intimidado as famílias ao sugerir a possibilidade de uma reintegração de posse, exacerbando o temor entre os habitantes locais.

Este protesto marca a segunda mobilização da comunidade apenas nesta semana. Três dias antes, os moradores já haviam se reunido para expressar sua oposição a um projeto do governo estadual que prevê a construção de um parque na mesma localização.

A Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) anunciou planos para “requalificar” a região da Favela do Moinho, o que implicaria na remoção das aproximadamente 800 famílias que habitam o local. Segundo a CDHU, essas famílias seriam transferidas para “lares dignos”, com o início da remoção previsto para a próxima terça-feira (22).

No entanto, as famílias estão preocupadas com a perspectiva de suas residências, muitas delas adquiridas ao longo dos anos, serem trocadas por imóveis financiados em áreas periféricas. Essa mudança poderia dificultar o acesso a serviços essenciais como creches e oportunidades de emprego.

A manifestação resultou em interrupções nas linhas ferroviárias da CPTM que atendem à região. De acordo com informações oficiais, a circulação da Linha 7-Rubi foi suspensa entre as estações Palmeiras-Barra Funda e Luz por volta das 15h10, sendo restabelecida apenas às 15h44. A ViaMobilidade também relatou uma paralisação temporária na Linha 8-Diamante entre as estações Júlio Prestes e Palmeiras-Barra Funda, que durou cerca de 33 minutos.

Durante o período de interrupção dos trens, ônibus do sistema Paese (Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência) foram disponibilizados para assegurar a mobilidade dos passageiros afetados.

Em resposta à situação, a Secretaria de Segurança Pública confirmou à Agência Brasil que uma pessoa foi detida no local sob suspeita de envolvimento com tráfico de drogas.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 18/04/2025
  • Fonte: FERVER