Mobilizações dos Metalúrgicos do ABC contra a Reforma Trabalhista
Na base dos Metalúrgicos do ABC, as assembleias foram simultâneas e focadas na preparação para a Greve Geral contra a retirada de direitos, que acontece na próxima sexta-feira (28)
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 15/08/2023
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Trabalhadores nas montadoras Ford, Scania, Volkswagen e Mercedes-Benz, em São Bernardo, pararam na manhã desta terça-feira (25) por cerca de uma hora e meia para realização de assembleias conduzidas pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC na entrada dos primeiros turnos de produção. A ação integra a agenda unificada de mobilizações do ramo metalúrgico contra a Reforma Trabalhista, da Previdência e a Terceirização, da qual fazem parte sindicatos filiados à CUT, Força Sindical, CTB, CSP-Conlutas e Intersindical.
Na base dos Metalúrgicos do ABC, as assembleias foram simultâneas e focadas na preparação para a Greve Geral contra a retirada de direitos, que acontece na próxima sexta-feira (28). Na Volkswagen, a atividade foi conduzida pelo secretário-geral do Sindicato e presidente eleito da entidade para o próximo mandato, Wagner Santana. “O que sair de resultado das reformas valerá para o resto das nossas vidas. Portanto, vale a pena fazer esta luta. Vamos nos comprometer e assumir esta luta. Dia 28 é Greve Geral. Não é para trabalhar e não é para dar trabalho para ninguém, nem vir à fábrica”, ressaltou.
Durante a assembleia na Scania, o presidente do Sindicato, Rafael Marques, também reforçou a importância da adesão dos trabalhadores ao movimento: “A Reforma Trabalhista, que o governo pretende votar no Congresso nos próximos dias, vai abrir caminho para os contratos parciais de trabalho, com jornada flexível e menor remuneração, que poderá tornar-se até mesmo o padrão de contratação no País. Vai permitir que patrões possam demitir trabalhadores sem necessidade de justificativa, aumentando a rotatividade no mercado de trabalho. Isso sem falar nos absurdos da reforma da Previdência. Nunca foi tão necessária a mobilização dos trabalhadores e a união do movimento sindical brasileiro”, destacou.
“O governo diz que isso cria mais empregos, mas não é verdade. Em países em que essas mudanças foram aplicadas – como Portugal, Espanha e Itália, entre outros –, a medida aumentou o desemprego. Em outros, como os EUA, isso gerou jornadas abusivas. São medidas que prejudicam imensamente os trabalhadores e os países”, completou o dirigente.
Contrato coletivo nacional – Os dirigentes do Sindicato também falaram nas assembleias sobre a proposta que vem sendo construída pela entidade e por setores do movimento sindical, que visa uma negociação nacional com as montadoras, com objetivo de evitar o que tem sido apontado como um “desmonte” da legislação e das convenções coletivas. “Estamos construindo primeiramente entre os parceiros do movimento sindical. Nós já temos cláusulas nas convenções coletivas das montadoras no estado de São Paulo que deixam claro o que pode ou não ser terceirizado. Mas com a nova lei, essa cláusula pode cair. Estamos conversando com as cinco centrais sindicais [ CUT, Força Sindical, CTB, CSP-Conlutas e Intersindical ] sobre o estabelecimento de um contrato coletivo nacional com as montadoras, que deve incluir uma cláusula que impeça a terceirização indiscriminada nas montadoras e que pode também regular temas como jornada de trabalho, entre outros”, explicou.
Além das montadoras de São Bernardo, que integram a base dos Metalúrgicos do ABC, houve ações de mobilização em empresas de outras regiões do Estado e do País, tais como: GM (São Caetano), Toyota (Itu), Volks (São Carlos), na Kanjico (sistemista de Sorocaba), Mitsubishi (Catalão/GO), Jonhy Deere (máquinas agrícolas – Catalão/GO), GM (Joinville/SC) e BMW (Araquari/SC), entre outras.