Ministro diz que intervenção no preço de alimentos foi ‘equívoco de comunicação’

Ministro do Desenvolvimento Agrário esclarece polêmica e descarta mudanças em prazos de validade; estratégias para reduzir custos seguem em debate.

Crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência BRasil

Na quinta-feira (23), o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, reafirmou que a administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não considera realizar intervenções nos preços dos alimentos. Durante uma coletiva de imprensa, Teixeira classificou como um “equívoco de comunicação” a sugestão de que o governo pudesse adotar medidas desse tipo.

Embora tenha evitado mencionar diretamente o ministro da Casa Civil, Rui Costa, cuja declaração sobre intervenções gerou controvérsia e foi posteriormente corrigida, Teixeira destacou que as discussões sobre o tema são sensíveis e precisam ser tratadas com cuidado.

Em uma reunião realizada no Palácio do Planalto na manhã de quinta-feira, ministros como Rui Costa e Carlos Fávaro (Agricultura) debateram estratégias para reduzir os preços dos alimentos. O encontro teve a presença do secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, uma vez que o ministro Fernando Haddad não pôde comparecer.

Teixeira reiterou a posição do governo ao afirmar que qualquer sugestão de intervenção está excluída das próximas ações. “Isso já foi corrigido. O presidente afastou qualquer possibilidade de intervenção nesse aspecto. A Casa Civil esclareceu isso“, comentou ao chegar para a reunião. O ministro também afirmou que as decisões sobre as medidas a serem propostas ainda não foram finalizadas.

A temática relacionada aos preços dos alimentos emergiu como uma prioridade para o presidente Lula, que expressou sua preocupação em uma reunião ministerial na segunda-feira, 20 de novembro. O assunto se tornou foco de discussão e críticas após as declarações do ministro Rui Costa durante uma entrevista ao programa Bom Dia Ministro, onde mencionou a busca por um “conjunto de intervenções” para reduzir os custos dos alimentos.

Rui Costa enfatizou que recebeu sugestões de associações do setor supermercadista e afirmou que pretende implementá-las no início deste bimestre, embora não tenha especificado quais seriam essas ações. Ele acrescentou: “Vamos ouvir os produtores e buscar medidas que possam efetivamente reduzir os preços dos alimentos.”

Após a polêmica gerada por suas declarações iniciais, Rui Costa procurou esclarecer sua posição em entrevista à CNN Brasil, enfatizando que a palavra “intervenção” deveria ser substituída por “medidas” para evitar mal-entendidos. Segundo ele, as ações governamentais visam apenas diminuir os custos associados à produção de alimentos.

Outro ponto controverso surgiu com a especulação sobre possíveis mudanças nas normas relacionadas ao prazo de validade dos alimentos. Essa proposta foi levantada pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) e gerou reações negativas nas redes sociais. Muitas publicações insinuaram que essa mudança poderia levar à venda de produtos vencidos.

Dados da plataforma Buzzmonitor Trends revelaram que houve um aumento significativo no número de postagens sobre validade de alimentos nas redes sociais, especialmente no X (antigo Twitter), onde 88,5% das menções tinham um tom negativo. Em contraste, a análise da empresa Palver indicou que a discussão sobre este tópico foi relativamente modesta em comparação com outras questões relacionadas ao governo.

Rui Costa negou qualquer mudança nas regras sobre prazos de validade: “Não vejo nenhuma possibilidade dessa sugestão específica ser adotada“, afirmou em entrevista à CNN.

Pós-reunião no Planalto, Paulo Teixeira também reiterou que não haverá alterações nas diretrizes relativas à validade dos alimentos. O governo se mantém firme na busca por alternativas viáveis para lidar com o aumento dos preços sem recorrer a intervenções diretas no mercado.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 23/01/2025
  • Fonte: PMSA