Ministério da Saúde emite alerta sobre vírus Nipah

Com letalidade de até 75%, surto do vírus Nipah atinge profissionais de saúde na Índia; autoridades brasileiras monitoram o cenário

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Um novo surto do vírus Nipah em Bengala Ocidental, na Índia, acionou o sinal de alerta global após a confirmação de casos entre médicos e enfermeiros. Com mais de 100 pessoas em quarentena forçada, países vizinhos começaram a adotar medidas preventivas em aeroportos, resgatando protocolos de triagem semelhantes aos utilizados no auge da pandemia de Covid-19. Apesar do temor internacional, o Ministério da Saúde do Brasil classifica como baixo o risco de o patógeno chegar ao território nacional.

O Nipah não é um agente desconhecido da ciência — foi identificado pela primeira vez em 1998 —, mas sua natureza agressiva e a ausência de vacinas ou tratamentos específicos o colocam na lista de patógenos prioritários da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Como o vírus Nipah é transmitido e quais os sintomas?

O reservatório natural do vírus Nipah são os morcegos frugívoros do gênero Pteropus. A transmissão para humanos ocorre de três formas principais:

  1. Consumo de frutas ou produtos derivados (como seiva de palmeira) contaminados por saliva ou urina de morcegos infectados.
  2. Contato direto com animais doentes, como porcos.
  3. Transmissão interpessoal, geralmente em ambientes hospitalares ou entre familiares de infectados.

Os sintomas iniciais costumam ser inespecíficos, assemelhando-se a uma forte gripe, com febre, dores musculares e vômitos. No entanto, o quadro pode evoluir rapidamente para uma encefalite aguda (inflamação no cérebro). Nesses casos graves, o paciente apresenta tonturas, sonolência e consciência alterada, podendo entrar em coma em um intervalo de apenas 24 a 48 horas.

Risco de epidemia global e a posição do Brasil

Embora o vírus Nipah possua uma taxa de letalidade alarmante que chega a 75% dos contaminados, a OMS esclarece que, no momento, não há recomendação para restrições de viagens ou comércio com a Índia. O risco de propagação internacional imediata é considerado baixo, já que os surtos tendem a ser localizados.

No Brasil, a vigilância é constante. “As autoridades de saúde seguem em monitoramento contínuo, em alinhamento com organismos internacionais”, afirmou o Ministério da Saúde em nota oficial. O país conta com o suporte de instituições de excelência, como a Fiocruz e o Instituto Evandro Chagas, para identificar e responder a agentes altamente patogênicos.

Vigilância e prevenção em um mundo globalizado

A preocupação com o Nipah reside na sua capacidade de desencadear epidemias em um mundo cada vez mais conectado. O período de incubação do vírus geralmente varia de 4 a 14 dias, mas há registros raros de até 45 dias, o que teoricamente facilitaria o transporte do vírus por viajantes assintomáticos.

Até o momento, a principal estratégia contra o Nipah é a prevenção: evitar o consumo de frutas mordidas por animais e manter protocolos rigorosos de higiene em áreas de surto. Enquanto a ciência corre para desenvolver imunizantes, o monitoramento global rigoroso continua sendo a barreira mais eficaz contra a disseminação deste patógeno letal.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 31/01/2026
  • Fonte: Secult PMSCS