Ministério da Saúde emite alerta sobre vírus Nipah
Com letalidade de até 75%, surto do vírus Nipah atinge profissionais de saúde na Índia; autoridades brasileiras monitoram o cenário
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 31/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Secult PMSCS
Um novo surto do vírus Nipah em Bengala Ocidental, na Índia, acionou o sinal de alerta global após a confirmação de casos entre médicos e enfermeiros. Com mais de 100 pessoas em quarentena forçada, países vizinhos começaram a adotar medidas preventivas em aeroportos, resgatando protocolos de triagem semelhantes aos utilizados no auge da pandemia de Covid-19. Apesar do temor internacional, o Ministério da Saúde do Brasil classifica como baixo o risco de o patógeno chegar ao território nacional.
O Nipah não é um agente desconhecido da ciência — foi identificado pela primeira vez em 1998 —, mas sua natureza agressiva e a ausência de vacinas ou tratamentos específicos o colocam na lista de patógenos prioritários da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Como o vírus Nipah é transmitido e quais os sintomas?
O reservatório natural do vírus Nipah são os morcegos frugívoros do gênero Pteropus. A transmissão para humanos ocorre de três formas principais:
- Consumo de frutas ou produtos derivados (como seiva de palmeira) contaminados por saliva ou urina de morcegos infectados.
- Contato direto com animais doentes, como porcos.
- Transmissão interpessoal, geralmente em ambientes hospitalares ou entre familiares de infectados.
Os sintomas iniciais costumam ser inespecíficos, assemelhando-se a uma forte gripe, com febre, dores musculares e vômitos. No entanto, o quadro pode evoluir rapidamente para uma encefalite aguda (inflamação no cérebro). Nesses casos graves, o paciente apresenta tonturas, sonolência e consciência alterada, podendo entrar em coma em um intervalo de apenas 24 a 48 horas.
Risco de epidemia global e a posição do Brasil
Embora o vírus Nipah possua uma taxa de letalidade alarmante que chega a 75% dos contaminados, a OMS esclarece que, no momento, não há recomendação para restrições de viagens ou comércio com a Índia. O risco de propagação internacional imediata é considerado baixo, já que os surtos tendem a ser localizados.
No Brasil, a vigilância é constante. “As autoridades de saúde seguem em monitoramento contínuo, em alinhamento com organismos internacionais”, afirmou o Ministério da Saúde em nota oficial. O país conta com o suporte de instituições de excelência, como a Fiocruz e o Instituto Evandro Chagas, para identificar e responder a agentes altamente patogênicos.
Vigilância e prevenção em um mundo globalizado
A preocupação com o Nipah reside na sua capacidade de desencadear epidemias em um mundo cada vez mais conectado. O período de incubação do vírus geralmente varia de 4 a 14 dias, mas há registros raros de até 45 dias, o que teoricamente facilitaria o transporte do vírus por viajantes assintomáticos.
Até o momento, a principal estratégia contra o Nipah é a prevenção: evitar o consumo de frutas mordidas por animais e manter protocolos rigorosos de higiene em áreas de surto. Enquanto a ciência corre para desenvolver imunizantes, o monitoramento global rigoroso continua sendo a barreira mais eficaz contra a disseminação deste patógeno letal.