Ministério da Saúde mira médicos que lucram com antivacina

Pasta agirá em 4 frentes contra profissionais que lucram com desinformação sobre vacinas de mRNA.

Crédito: Antonio Cruz/Agência Brasi

O Ministério da Saúde anunciou uma ofensiva robusta contra a disseminação de informações falsas sobre vacinas, mirando especificamente profissionais de saúde que faturam com teorias infundadas. A ação, detalhada pelo ministro Alexandre Padilha e divulgada inicialmente pelo Estadão, visa frear a monetização de conteúdos antivacina em plataformas digitais.

A principal mira do Ministério da Saúde são médicos que promovem a inexistente “síndrome pós-spike”, uma suposta condição ligada às vacinas de mRNA usadas na pandemia de Covid-19.

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Ações legais e remoção de conteúdo

A primeira frente de ação envolve uma parceria com a Advocacia-Geral da União (AGU). O objetivo é apresentar representações criminais contra médicos que estão lucrando com a venda de cursos e consultas baseados em alegações sem qualquer comprovação científica.

Paralelamente, o Ministério da Saúde emitirá notificações extrajudiciais às plataformas digitais, exigindo a remoção imediata de conteúdos que promovam esses tratamentos e cursos fraudulentos. “Estamos determinados a combater a propagação dessa desinformação”, afirmou Padilha em suas redes sociais.

A farsa da “Spikeopatia”

Investigações do Estadão Verifica revelaram um esquema lucrativo. Médicos com vasta audiência (alguns com mais de 1,6 milhão de seguidores) alegam tratar uma suposta intoxicação por vacinas, cobrando valores exorbitantes.

Esses profissionais chegam a faturar até R$ 685 por cursos e R$ 3,2 mil por consultas particulares para tratar a chamada “spikeopatia”.

A existência da “spikeopatia” não possui respaldo na comunidade científica até o momento. As vacinas de mRNA utilizam a proteína spike para ensinar o sistema imunológico a reconhecer e combater o vírus, um mecanismo seguro e eficaz.

Embora um estudo liderado pelo imunologista Roberto Zeballos tenha tentado sustentar essa hipótese, o artigo foi rapidamente retratado pela revista IDCases devido a falhas graves, desmentindo a base usada pelos médicos. Cardoso, um dos autores, argumentou que o estudo “não tinha como objetivo criar protocolos ou fazer recomendações populacionais“, apesar de Zeballos fazer recomendações sobre o tema nas redes sociais.

Investimento em ciência e combate ao negacionismo

Além das medidas punitivas, o Ministério da Saúde foca na ciência. Padilha anunciou um investimento de R$ 60 milhões para atrair pesquisadores internacionais e fomentar estudos em saúde pública no Brasil, aproveitando mudanças contratuais nos EUA para captar talentos.

O Ministério da Saúde reforça que essa luta está alinhada às discussões da COP-30, onde o negacionismo (climático e vacinal) foi tratado como ameaça à saúde pública.

Combater o negacionismo e inovar para proteger as populações vulneráveis é parte do Plano de Ação Belém voltado para adaptar os sistemas de saúde frente às mudanças climáticas“, concluiu Padilha. O Ministério da Saúde segue, assim, em múltiplas frentes para proteger a saúde pública da desinformação.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 16/11/2025
  • Fonte: Fever