Minissérie-crítica: Teatro de Vampiros Brasileiros — Ep. 01 (Piloto)

Baseado em fatos quase (ir)reais da política brasileira, chega a minissérie-crítica em formato de enlatados folhetim da vida privada tupiniquim

Crédito: Ilustração criada por IA (Google Gemini IA/Chatbot)

Vampiros Brasileiros

Em uma das semanas mais emocionante da política atual, após a conclusão da fase de outivas do chamado “núcleo crucial”, acerca dos réus por tentativa de golpe de Estado, tivemos desdobramentos dignos de uma série policial, com um encaixe perfeito para uma típica sexta-feira 13, porque sim, não são só os vampiros, mas a bruxa também estava a solta.

Em uma sucessão de fatos que deixariam qualquer motorista de série política com inveja, tivemos embaraços de delator e seus ex-chefe frente a frente, uma porção de soldadinho de chumbos se jogando diante das estacas de madeira para proteger seu “Príncipe das Sombras”, mas além de tudo isso, uma tentativa de fuga frustrada.

Assim, coube a nós o testemunho de um espetáculo que apesar da curta duração, se estendeu até o último instante daquela que já promete e entregou ser a semana uma das mais atribulada da política brasileira dos últimos anos. Nestes dias, vimos fantasmas e espectros políticos se mobilizando com vampiros que interpretavam humanos interpretando vampiros. Nesta lógica, alguns dizem que por exemplo, há um colegiado julgador de figuras fingindo ser juízes interpretando imparcialidade para bandidos que fingem ser políticos inocentemente injustiçados.

Para aqueles que esperavam uma batalha de mil dias, travada entre duas forças opostas, bem contra o mal ou qualquer outra bobagem do gênero, um aviso: sosseguem, você está sentado na coxia, não junto ao público. Mas lembrem que, se eles têm as presas, provavelmente quem entrega o pescoço é você. Assim, estivemos à espera de um generoso arsenal com sede de sangue e troca de acusações às foices, que surpreendente, deram lugar a serenidade hibridamente circense com toques de série policial e comédia de autoajuda. 

Se você ficou confuso, fique ligado para os próximos episódios, significa que já bem-vindo a comédia da política privada — onde se vê humor ácido, piadas de tiozão com direito a convite de uma futura candidatura e reviravolta de um delator fujão.

A primeira parte do nosso evento tupiniquim, teve transmissão ao vivo e exclusiva no Picadeiro-Transilvânia em meio a um baile de máscaras de clima amistosamente sinistro. Com um público sedento por justiça e munidos de tochas de fogo, alhos no pescoço e estacas de madeira, o povo esperava fervorosamente. Entre a disputa, se viu assistentes e simpatizantes rivalizando com os caçadores do “coisa ruim”, ao menos desse vampiro.

Tudo foi ornamentado, as ruas repletas esperando o absurdo da injustiça ou a glória pela liberdade. Os bares e televisores ligados no mesmo canal feito torcida de futebol e final de novela. Em meio as tochas e foices, veio a surpresa de que o ex-presidente iria acompanhar os demais depoimentos de perto. E com direito a zoom e câmera exclusiva em suas reações comentadas quadro a quadro. E assim, as criaturas foram chegando, o comércio se ouriçou, moço do cachorro-quente e barraquinhas nos arredores do plenário não davam conta do tanto de gente apinhada para apoiar aquele que prometia ser o julgamento do século. E não é que está sendo mesmo.

Porém, conforme os presentes formam tomando assento e os depoimentos foram começando, o público foi minguando e o entusiasmo foi dando lugar a realidade que parecia mais amarga que solitária. Ao perceber que aquele todo movimento, os hates de perfil anônimo, e comentários com imagens de foto da bandeira do Brasil, não estavam lá, tudo tomou o salão com pessoas com trajes caros parecendo desempenhar outros papéis, mas dessa vez, os de seus próprios rostos, e tudo aquilo que viveram no passado, não passou de fumaça e espelhos — juízes e réus, frente a frente.

Ao que parece, está chegando a hora do dia que vem raiando meu bem. E parece que alguns tentaram seguir “a canção do adeus”, mas ai-ai, ai-ai — pena que só rolou o toc-toc-toc da Polícia Federal (PF), na porta. Na hora de ir embora, só (não) faltou avisar as autoridades brasileiras.

Baseados nos melhores dos enlatados policiais estadunidenses, algumas perguntas ficam soltas no ar, feito meio proposital para atrair o espectador para o capítulo seguinte. Então, qual seria a motivação para a fuga de um colaborador que receberia todos os benefícios já conquistados, sobretudo para segurança de sua própria família — e mais, a quem mais interessaria uma tentativa de fuga de um dos maiores alicerces da investigação contra um ex-presidente?

Nada poderia ser mais brasileiro que uma trama de novela em folhetim, onde a vida imita a arte ou será o contrário? Assim tivemos suspense, comédia, traição, término de relacionamento, (in)justiça, e claro, não poderia faltar ação (americanizada) em uma quase fuga de tirar o fôlego, mesmo que não tenha de fato sido provada, fez barulho suficiente para construir expectativa e atenção para um (falso) “fato novo” repleto de reviravoltas, feito episódio final de temporada.

Desse jeito, com fortes emoções a audiência se aproxima o dia da maior vaia da história do Brasil, citada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em sua outiva ao optar por não entregar a faixa presidencial ao atual presidente, mas não pela derrota nas urnas. Tal como ocorreu com Luís Inácio ‘Lula’ da Silva (PT), Michel Temer (Sem Partido) e recentemente, Fernando Collor (Sem Partido), nosso país terá uma vez mais, a condenação de seu ex-chefe maior de Estado da nação, o que significa dizer que sim: o ex-presidente Jair Bolsonaro será preso.

Ou será que não?

Fique ligado, amanhã sai o segundo episódio da mais nova minissérie das oito, no ABC do ABC.

Teatro de Vampiros Brasileiros

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 14/06/2025
  • Fonte: Multiplan MorumbiShopping