Minerva compra operações da JBS no Paraguai, Argentina e Uruguai

Em comunicado, a JBS informou ainda que pretende utilizar os recursos obtidos com a transação (US$ 300 mi) para diminuir sua alavancagem financeira

Crédito: JBS

A JBS fechou acordo para a venda de suas operações no Paraguai, Uruguai e Argentina por R$ 300 milhões para a Minerva, conforme comunicados divulgados pelas companhias à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A transação ocorrerá por meio das subsidiárias dos dois grupos. Dessa forma, a Pul Argentina, o Frigomerc e a Pulsa, sociedades controladas pela Minerva, vão adquirir a totalidade das ações das subsidiárias da JBS que são detentoras das operações de carne bovina na Argentina (JBS Argentina), Paraguai (JBS Paraguay e Indústria Paraguaya Frigorífica) e Uruguai (Frigorífico Canelones).

O preço está sujeito a um ajuste em valor equivalente à diferença entre o capital circulante líquido e o endividamento de longo prazo das sociedades na data de fechamento, cujo valor estimado em 31 de março de 2017 era positivo em aproximadamente US$ 40 milhões.

A transação foi aprovada pelos conselhos de administração da JBS e da Minerva, e está condicionada a condições precedentes usuais em operações dessa natureza, incluindo a aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Em comunicado, a JBS informou ainda que pretende utilizar os recursos obtidos com a transação para diminuir sua alavancagem financeira.

O frigorífico Minerva projeta atingir receita líquida consolidada de R$ 13,0 bilhões a R$ 14,4 bilhões nos próximos 12 meses compreendidos entre julho de 2017 e junho de 2018. A estimativa foi divulgada por meio de fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

O início das operações é estimado para julho deste ano. As projeções também têm como premissas a taxa de câmbio de R$ 3,20 e o crescimento orgânico das operações correntes.

A receita líquida estimada com a compra das operações da JBS na região do Mercosul representa um ganho de receita líquida estimado de US$ 3,2 bilhões para a Minerva. Esse montante, somado à receita líquida estimada da companhia atualmente, tem potencial de elevar o faturamento consolidado para o patamar médio de US$ 13,7 bilhões.

A capacidade de abate dos frigoríficos adquiridos totaliza 9.050 cabeças, divididas entre Argentina (5.050), Paraguai (3.100) e Uruguai (900). Com isso, a capacidade consolidada do grupo Minerva após as aquisições subirá para 26.380 cabeças.

SETOR. A aquisição dá um fôlego para o setor pecuarista brasileiro, que enfrenta problema de falta de liquidez, desde que a empresa deixou de comprar bois à vista. A opinião é do vice-presidente da Sociedade Rural Brasileira, Pedro de Camargo Neto. “Mas esse fôlego é curto”, pondera o pecuarista. Ele acrescenta que é preciso saber quanto dessa cifra deve entrar liquidamente para empresa.

De toda forma, o pecuarista comemora o fato de a desmobilização ter ocorrido no segmento do grupo ligado à carne. Isso, na sua opinião, deve fazer com que esses recursos obtidos sejam direcionados para o segmento de frigoríficos do grupo, que atua em diversos setores. Se a venda tivesse ocorrido com outras empresas do grupo J&F seria, na opinião de Camargo Neto, mais difícil que esse dinheiro fosse direcionado para os frigoríficos do conglomerado.

No entanto, ele diz que “se a venda tivesse sido de frigoríficos do JBS no Brasil, teria sido mais favorável ainda para a pecuária brasileira”, diz o vice-presidente da Sociedade Rural. Neste caso, observa, “seriam dois dinheiros”. Ele explica que o produto da venda aliviaria o caixa da JBS e aumentaria o volume de recursos para compra de bois. Além disso, diminuiria a cartelização do setor frigoríficos no País, na sua opinião.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 06/06/2017
  • Fonte: Sorria!,