MinC lança estudo e curso sobre audiovisual brasileiro
Na Mostra de Tiradentes, MinC apresenta estudo nacional e capacitação para fortalecer o audiovisual brasileiro e políticas públicas.
- Publicado: 03/02/2026
- Alterado: 26/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Michel Teló
O Ministério da Cultura (MinC) marcou presença no terceiro dia da 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes com duas iniciativas inéditas voltadas ao setor: o lançamento do Panorama do Ecossistema Audiovisual – Arranjos Regionais 2025 e o curso Audiovisual no Brasil: Governança e Ecossistema. As ações foram apresentadas pela Secretaria do Audiovisual (SAV) durante o 4º Fórum de Tiradentes, realizado neste domingo (25).
As medidas integram a estratégia do governo para ampliar políticas públicas, fortalecer a produção de dados e expandir a formação no campo audiovisual brasileiro. A iniciativa também reforça o papel dos Arranjos Regionais como ferramenta de descentralização do financiamento e da capacitação.
Políticas públicas e Arranjos Regionais

O debate Políticas públicas de fomento audiovisual, realizado na manhã do evento, discutiu a articulação entre instrumentos como o Programa Nacional Aldir Blanc (PNAB), os Arranjos Regionais e o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA).
A diretora de Formação e Inovação Audiovisual da SAV, Milena Evangelista, detalhou a construção dos Arranjos Regionais, ressaltando que a política foi estruturada a partir de diálogo com gestores culturais e das discussões realizadas no próprio Fórum de Tiradentes. Segundo ela, o modelo de cofinanciamento envolve R$ 542 milhões do Governo Federal, com contrapartida de aproximadamente R$ 120 milhões de estados e municípios.
Durante a mesa, foi lançado o estudo Panorama do Ecossistema Audiovisual – Arranjos Regionais 2025, que apresenta um diagnóstico nacional do audiovisual brasileiro com dados territoriais e informações inéditas sobre o setor.
“É muito importante lançarmos o Panorama aqui, porque o norte da Mostra é a soberania imaginativa e o direito de nos imaginarmos. Os Arranjos têm exatamente essa perspectiva: a descentralização do financiamento, da formação e do fomento, para estimular nossas histórias e permitir que a gente crie e consolide uma cinematografia cada vez mais plural”, afirmou Milena Evangelista.
A mesa também contou com a presença da presidenta da Fundação Nacional das Artes (Funarte), Maria Marighella, que destacou a cultura como força coletiva e ressaltou o papel das políticas públicas na construção de comunidades.
“A cultura brasileira é esse lugar que nos projeta. É por meio do audiovisual, do cinema e dessa construção simbólica que transformamos esse Brasil polifônico e diverso em um Brasil de práticas de vizinhança, de semelhança, de comunidades e de afetividades”, afirmou Marighella.
A secretária de Cultura de Belo Horizonte, Eliane Parreiras, reforçou o momento estratégico do audiovisual brasileiro, destacando a importância da descentralização e da gestão compartilhada entre União, estados e municípios. Já a secretária de Articulação Federativa e Comitês de Cultura do MinC, Roberta Martins, ressaltou a necessidade de integração entre os entes federativos e o fortalecimento do Sistema Nacional de Cultura (SNC).
“A SAV estrutura a política dos Arranjos Regionais como uma política federativa, a partir da leitura da Lei Nacional do Sistema de Cultura e da necessidade de articulação do nosso Sistema Nacional com os sistemas estaduais e municipais”, afirmou Roberta Martins.
Formação, governança e ecossistema audiovisual

À tarde, o MinC participou do painel Convergências entre Cinema e Formação: Saberes, Territórios e Práticas para uma outra educação, dedicado ao debate sobre cinema, educação e formação de públicos. Na ocasião, Milena Evangelista e a coordenadora de Formação da SAV, Ana Paula Sylvestre, lançaram o curso Audiovisual no Brasil: Governança e Ecossistema, desenvolvido em parceria com a Escola Fundação Itaú.
O curso responde a uma demanda histórica de gestores culturais e participantes dos Arranjos Regionais. Com caráter introdutório, a formação foi construída ao longo de cerca de um ano e é gratuita, aberta ao público, com foco em gestores públicos, produtores culturais, estudantes e demais interessados no setor. A carga horária é de quatro horas, distribuídas em dois módulos, e apresenta um panorama das políticas públicas e do audiovisual brasileiro.
Ana Paula Sylvestre destacou que as ações da SAV são estruturadas a partir de dados, diagnósticos e evidências. “O desenvolvimento deste curso específico reforça a importância de fortalecer a estrutura de formação, para que as políticas públicas sejam construídas a partir de um adensamento formativo”, afirmou.
Cinema, educação e circulação
No painel, especialistas discutiram ainda a importância do acesso às obras e a expansão dos circuitos de exibição. O professor Issac Pipano (Universidade Federal Fluminense) destacou a relevância dos dados e do acesso às produções. Cintia Langie (Universidade Federal de Pelotas) falou sobre a necessidade de ampliar os circuitos de exibição, enquanto Clarissa Alvarenga (Universidade Federal de Minas Gerais) ressaltou o papel do cinema na educação básica. Edileuza Penha (Instituto Federal de Brasília) enfatizou o cinema como ferramenta de formação nas escolas.
A mediação foi feita por Adriana Fresquet (GT Formação). Representando a Escola Fundação Itaú Cultural, Renan Jordan celebrou o lançamento do curso e a parceria institucional.